Porquê é que as crianças com autismo merecem uma intervenção baseada na ABA?

Não existem dúvidas quanto à eficácia de uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada (ABA), são imensas já as publicações científicas que o provam. Porém, nada melhor do que a opinião dos pais para o comprovar.

Mary Beth Walsh, mãe de uma criança autista, refere as 10 principais razões que demonstram o porquê é que todas as crianças no espetro do autismo merecem uma intervenção baseada na Análise Comportamental Aplicada (ABA). Este artigo foi publicado na Association for Behavior Analysis International e pode ler o original aqui.

 


 

 


 

Apresentamos em seguida as razões enunciadas por Mary Beth Walsh, em ordem decrescente:

10 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque existem mais evidências científicas que demonstram que ela é eficaz do que para qualquer outra terapia.

Para nós, terapeutas da Mima Mais – Serviços Terapêuticos e para qualquer analista comportamental, esta é uma das razões fundamentais. Mas para os pais, o mais importante é saberem que esta intervenção é eficaz porque ensina aos seus filhos novas competências, como a serem independentes, a falar, a utilizar a casa de banho ou a dormir durante a noite e até mesmo as competências necessárias para terem e manterem um emprego na vida adulta.

 

9 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque elas são humanas.

No que diz respeito ao espetro do autismo, existem algumas teorias que negam o humanismo dos indivíduos com autismo, defendendo que são incapazes de aprender e, em contraste, outras que sugerem que são detentores de capacidades sobrenaturais.O espetro do autismo faz parte do espetro humano. A ciência comportamental tem-nos mostrado como é que nós aprendemos e negar que os autistas são humanos é negar que eles são incapazes de aprender.

 

8 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque ela ajuda os pais a serem os melhores pais que poderiam ser para os seus filhos.

Todos os pais querem que os seus filhos atinjam o seu potencial, mas tal pode não ser um objetivo fácil de se concretizar com um filho com autismo. Ser pai ou mãe de uma criança com autismo é muito similar ao ser pai ou mãe de uma criança normal, mas num nível extremo.

A autora refere alguns exemplos, baseados na sua vida pessoal:

- Muitos pais retiram o leite materno ou fórmula e introduzem imediatamente comida sólida, enquanto que ela precisou de um analista comportamental e de um programa com recolha de dados para ensinar o seu filho a mastigar e a engolir nuggets de galinha.

- Todos os pais ensinam os seus filhos a falar, mas muitos não têm de ensinar específica e separadamente como fazer o som “m” e “a” com ajuda física para guiar as suas bocas, antes que consigam ouvir o seu filho dizer “mamã” pela primeira vez.

- Enquanto uns pais se preocupam com a qualidade de ensino nas escolas, os pais de crianças autistas têm a preocupação de colocar os seus filhos em escolas que aceitem e apliquem os princípios da ABA, para que eles possam de facto aprender.Os pais de crianças com autismo empenham-se de forma árdua para garantir que elas aprendam tudo aquilo que possam. Com a ABA, conseguem não só medir os progressos e orientar as aprendizagens, mas também ter a certeza que estão a fazer a diferença.

 

7 - As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque ela vai ajudá-los a dormir à noite e a usarem a casa de banho.

O desfralde é um objetivo importante para qualquer pai. Não só torna a criança independente nas idas à casa de banho, como também lhe permite uma noite de sono tranquila, sem acidentes. Mary Beth Walsh refere toda a sua experiência de desfralde com o seu filho, desde a retirada de dados e ao aumento gradual da exigência de cada passo até que ele aprendeu a ser totalmente independente nesta tarefa da vida diária.

 

6 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque é a melhor defesa contra a tirania das expetativas baixas.

Segundo a autora, aceitar um indivíduo tal como ele é significa defender que, independentemente das dificuldades ou falta de capacidades que possa apresentar, ele pode sempre aprender. E com uma intervenção em ABA, aprende! Nunca podemos desistir nem acomodar-nos. É importante encontrarmos pessoas que lutem sempre pelo potencial destas crianças.

 

5 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque ela pode ensinar-lhes competências importantes para fazerem amigos.

Para as crianças com autismo que conseguem falar bem, em termos comportamentais, basta ensinar-lhes as competências sociais necessárias para interagirem com os seus pares. Mas para aquelas em que a fala é um desafio, outras estratégias podem ser tomadas. Tal como referido pela autora, o ensino de jogos (como por exemplo, jogar à bola) pode ajudar na socialização. Esta aprendizagem é feita por pequenos passos, dependendo das capacidades de cada criança, e pode iniciar-se por tão simplesmente agarrar a bola, depois realizar determinado movimento, tudo com muita ajuda e tomada de dados, até a um objetivo final mais complexo.

Quando a criança já sabe jogar à bola, mesmo tendo dificuldades na fala, esta competência promove a interação com os pares e a formação de laços de amizade no parque ou na escola, por exemplo.  

 

 

4 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque ajuda os pais e professores a tirarem o maior proveito das suas competências e preferências.

A aprendizagem é muito mais fácil e eficaz se soubermos o quê é que motiva estas crianças. A ABA ajuda-nos a observar e compreender as preferências delas e fazer proveito destas para o ensino de competências.

 

3 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque ela pode ensinar aos pais como responder e reagir num determinado momento.

É muito importante que os pais se tornem fluentes na aplicação dos princípios da ABA de forma a serem capazes de os aplicar em casa. É importante saber o que se deve reforçar ou não, assim como evitar possíveis erros. Uma criança que já tenha aprendido a vestir uma camisola e que o realize mal, por exemplo, deve realizar novamente a tarefa com ajuda e depois, novamente, de forma autónoma. Se ela não sabe calçar as meias, em vez de lhe darmos a oportunidade de falhar, orientamo-la imediatamente na tarefa.

 

2 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque um dia os seus pais vão morrer.

Os pais de crianças com autismo querem garantir que elas aprendam todas as competências necessárias para que possam ser as mais independentes possíveis enquanto adultas. Assim, como interagir de forma saudável com os seus familiares e comunidade, manter os seus empregos, contribuir para a comunidade e manterem-se ligadas às redes de suporte social que as poderão ajudar quando, um dia, os pais não estejam lá para elas.

 

1 – As crianças com autismo merecem uma intervenção assente na Análise Comportamental Aplicada porque ela pode prepará-las para se defenderem a si próprias e para fazerem as suas escolhas.

Para finalizar, Mary Beth Walsh afirma que todas as crianças devem ter a oportunidade de demonstrar tudo aquilo que conseguem fazer e aprender tudo aquilo que conseguem aprender. Todas as crianças com autismo devem ter acesso a uma intervenção baseada nos princípios e conceitos da Análise Comportamental Aplicada.

Para saber mais sobre a nossa intervenção comportamental, contacte-nos.