O trânsito seguia normal, a música baixa, nada parecia urgente. No semáforo, ela viu: uma bolha mole no flanco do pneu. Sem aviso no painel, sem ar a sair, só aquele inchaço.
Pensou “depois vejo” e seguiu. Dez minutos depois, a cerca de 100 km/h, o pneu rebentou.
Bolhas no flanco não são estéticas. São dano estrutural - e o tempo para falhar pode ser curto.
Essa bolha “inofensiva” que pode arrancar o seu carro da estrada
Uma bolha no flanco parece pequena porque o pneu ainda “aguenta” pressão. Mas o que está a falhar não é a borracha de fora: são as telas/cordões internos que dão resistência à carcaça.
O cenário típico em Portugal:
- buraco fundo (muito comum após chuva),
- toque num lancil ao estacionar,
- lomba passada depressa,
- detritos na estrada.
Esse impacto pode partir cordões internos. A pressão do ar começa a empurrar para fora na zona enfraquecida e forma um “balão” no flanco. Por fora vê-se uma bolha; por dentro já existe uma rutura.
Porque é que isto é tão perigoso no flanco?
- O flanco é a parte que mais flete a cada rotação. Mais flexão = mais calor = mais degradação.
- A bolha concentra esforço num ponto. Em autoestrada, com calor e carro carregado, o risco dispara.
- Sistemas como TPMS (quando existe) podem não avisar: pode não haver perda lenta de pressão antes do rebentamento.
Regra prática usada por profissionais: bolha no flanco = pneu perdido. Não é “para vigiar”, é para substituir.
O que fazer no segundo em que deteta uma bolha no pneu
Trate como perigo imediato. O objetivo é reduzir carga e calor até parar em segurança.
1) Abrande suavemente e evite travagens bruscas ou guinadas.
2) Ligue os quatro piscas e procure um local seguro: área de serviço, parque, rua calma. Em autoestrada, use a berma apenas o mínimo necessário até um sítio mais protegido.
3) Depois de parar: travão de mão, caixa em “P” (ou 1.ª), e só então saia para confirmar.
Nota de segurança (importante em Portugal): antes de sair do carro na berma/estrada, vista o colete refletor. Se tiver de sinalizar imobilização, use o triângulo conforme as regras locais e apenas se for seguro colocá-lo.
O que fazer a seguir:
- Se tiver suplente e souber trocar, faça-o apenas num local estável e fora do trânsito. Se for “roda de emergência”, respeite o limite típico indicado (muitas são para até 80 km/h) e vá direto a uma oficina.
- Se não tiver condições, chame assistência em viagem/reboque. Um “serviço móvel” pode resolver no local em muitos casos.
O que não fazer:
- Não “só mais uns quilómetros” a velocidade normal (é aí que costuma falhar).
- Não tente reparar com tampões, sprays ou “remendos” no flanco - não é considerado seguro para dano estrutural.
- Não confie no tamanho: pequena ou grande, a bolha significa falha interna.
Se quiser um hábito simples: olhe para os flancos quando abastece ou lava o vidro. Leva 10 segundos e apanha bolhas antes de virarem emergência.
Viver com a ideia de que os seus pneus sustentam a sua vida inteira
Quatro áreas de contacto do tamanho aproximado de uma mão sustentam travagem, direção e estabilidade. Uma bolha no flanco é um lembrete pouco simpático, mas útil, de que pneus “aguentarem” não é o mesmo que estarem seguros.
Ajustes que evitam repetir a história:
- Depois de um impacto (buraco, lancil), inspecione o pneu no próprio dia. Bolhas podem aparecer horas/dias depois.
- Pressão certa (pelo autocolante da porta/depósito) reduz flexão do flanco; pressão baixa aquece mais e torna impactos mais agressivos.
- Se notar vibração, volante a puxar ou desgaste irregular após o impacto, peça verificação de alinhamento e inspeção do pneu/jante.
Na substituição, há um trade-off real: idealmente, troca-se o par no mesmo eixo para manter comportamento e aderência equilibrados (especialmente em chuva). Se o orçamento obrigar a trocar só um, pelo menos garanta medida correta e o mesmo índice de carga/velocidade, e peça para inspecionarem os restantes.
| Ponto-chave | Detalhe | Porque importa |
|---|---|---|
| Bolha = falha estrutural | Cordões/telas internos cederam após impacto; o ar cria um “balão” no flanco. | Pode rebentar sem aviso, sobretudo com velocidade, calor e carga. |
| Parar assim que possível | Abrandar, sinalizar e encostar em segurança; evitar autoestrada/alta velocidade. | Reduz risco de perda súbita de controlo. |
| Substituição, não reparação | Dano no flanco não é reparação segura na prática corrente do setor. | Evita “remendos” que falham quando mais precisa. |
FAQ:
Posso conduzir uma curta distância com uma bolha no flanco do pneu?
Só o necessário para sair da zona de risco e parar em segurança. Evite velocidade e manobras bruscas.Um pneu com bolha no flanco pode ser reparado?
Em geral, não. O flanco é estrutural e muito flexível; a solução segura costuma ser substituir.O que causa bolhas no flanco?
Impactos: buracos, lancis, lombas a alta velocidade, ou detritos a bater no pneu.É seguro se a bolha for pequena e não parecer crescer?
Não é um bom sinal em nenhum tamanho. Qualquer protuberância visível indica falha interna e pode evoluir sem aviso.Devo substituir os pneus dos dois lados se um tiver uma bolha no flanco?
Idealmente, sim, no mesmo eixo. No mínimo, substitua o danificado e peça inspeção aos restantes (pode ter havido o mesmo impacto).
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