O termóstato na parede do corredor parece minúsculo, quase inocente.
No entanto, cada pequena alteração que faz nele envia dinheiro real a sair - ou a voltar - da sua conta bancária. Os engenheiros de AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) veem isto todos os invernos e verões: casas a aquecer em excesso quando não está ninguém, ou a arrefecer demasiado à noite porque alguém rodou o seletor demais. A maioria das pessoas acha que poupar no aquecimento e no arrefecimento significa sacrificar conforto, ou viver com uma casa que está sempre um pouco “fora do ponto”. Os engenheiros com quem falei não veem as coisas assim. Para eles, as poupanças são sobretudo uma questão de timing. E tendem a concordar num horário surpreendentemente simples.
O horário de termóstato em que os engenheiros de AVAC confiam
Numa manhã cinzenta de terça-feira em Leeds, o engenheiro de AVAC Mark encosta-se a um armário da caldeira e percorre no telemóvel o histórico do termóstato inteligente de um cliente. O gráfico parece um monitor cardíaco em modo pânico: subidas e descidas enormes, sem padrão, noites tão quentes como tardes. “Isto”, resmunga, “é por isso que as faturas deles são brutais.” Carrega num botão, desenha uma curva suave em vez de picos serrilhados e sorri. O horário que define não é magia. É apenas consistente. E é aí, diz ele, que a maioria das casas queima dinheiro em silêncio.
Para uma casa típica, o horário a que os engenheiros voltam sempre é surpreendentemente moderado. Na época de aquecimento, sugerem cerca de 20–21°C quando está em casa e acordado. Baixar para 17–18°C quando está a dormir ou fora. Na época de arrefecimento, apontar para 24–25°C quando está em casa e depois deixar subir para 27–28°C quando a casa está vazia. Não parece dramático. Ainda assim, em dezenas de milhares de casas, investigadores observaram poupanças de 8–15% apenas com estas pequenas reduções regulares. Não é teoria: são números reais na fatura de energia.
A lógica é brutalmente simples. O seu aquecimento e arrefecimento não pagam “conforto”; pagam diferença. Quanto maior for o fosso entre a temperatura interior e a exterior, mais o sistema tem de trabalhar para manter essa linha. Ao deixar a casa aproximar-se mais da temperatura exterior quando o conforto importa menos - quando está a dormir ou no trabalho - reduz o tempo de funcionamento do sistema. Ao contrário do que muita gente ainda acredita, a caldeira ou o ar condicionado não “trabalham mais” para voltar a aquecer ou arrefecer depois; os engenheiros repetem que a energia total usada é menor porque passou menos horas com uma diferença de temperatura grande. Ao longo de um ano, essas horas somam-se e dão para umas pequenas férias.
A rotina ideal de 24 horas para o termóstato
Eis a rotina que os engenheiros de AVAC desenham em guardanapos, vezes sem conta. Bloco de acordar: cerca de 30–60 minutos antes do despertador, o termóstato começa a puxar a casa de volta para o conforto - digamos 20–21°C no aquecimento, 24–25°C no arrefecimento. Bloco de dia: quando sai para o trabalho ou para levar as crianças à escola, desce para 17–18°C no inverno ou sobe para 27–28°C no verão. Bloco de fim de tarde/noite: uma hora antes de chegar a casa, regressa suavemente à zona de conforto. Bloco de noite: por volta da hora de deitar, o valor definido volta a descer (ou a subir) para as horas de sono. Quatro fases. Só isto.
Uma família em Manchester aceitou seguir este padrão durante três meses, como teste. Mesma casa, mesma caldeira, mesmas pessoas. Só mudou o horário do termóstato. No inverno, passaram de 21°C constantes, 24/7, para 21°C de manhã e ao fim da tarde/noite, e 17,5°C enquanto dormiam ou estavam fora. Ao início, estavam nervosos; tinham uma criança pequena e assumiam que a casa ia ficar gelada. Duas semanas depois, mal notavam a diferença - exceto quando chegou a fatura. Em comparação com o ano anterior, o consumo desceu quase 12%. Ninguém lá em casa conseguia acreditar que quatro números num ecrã tivessem feito aquilo.
Do ponto de vista de um engenheiro, a magia está na estabilidade. O termóstato deixa de andar a “perseguir” como se sente a cada cinco minutos. Segue uma rotina. Paredes, mobiliário e ar mantêm-se numa faixa térmica mais estreita, o que significa que o sistema faz ciclos mais longos e suaves, em vez de arranques curtos e violentos que desperdiçam energia. E como os ajustes começam antes de acordar ou de entrar pela porta, raramente passa por aqueles momentos de “está a gelar aqui dentro” que o tentam a subir o termóstato para 25°C por vingança. Já não está a lutar contra o sistema; está a deixá-lo trabalhar à sua frente.
Como manter este horário na vida real
Todos os engenheiros com quem falei disseram o mesmo: o horário do termóstato só funciona se der ao sistema oportunidade de o cumprir. Isso significa programá-lo uma vez, como deve ser. Pegue numa noite, sente-se com o telemóvel ou com o ecrã do termóstato e desenhe o seu dia real: quando acorda, quando sai a última pessoa, quando chega a primeira, quando costuma deitar-se. Depois defina quatro blocos com apenas duas temperaturas: “conforto” e “economia”. A maioria dos termóstatos modernos identifica isto de forma clara, ou usa ícones como uma casa e uma lua. O simples vence o “esperto”.
Onde isto costuma falhar é no momento do “só desta vez”. Chega mais cedo, está com frio, aumenta a temperatura cinco graus e deixa ficar. Ou uma noite quente não o deixa dormir e, às 2 da manhã, mergulha na app e muda tudo. Todos já passámos por isso. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias de forma disciplinada. Os engenheiros são surpreendentemente compreensivos. Sugerem uma regra: se estiver desconfortável, mude apenas 1–2°C, e use a opção “manter até ao próximo período” (hold until next period), não uma alteração permanente. Assim, o horário volta ao normal automaticamente.
A consultora de AVAC Linda colocou a coisa assim:
“O seu termóstato deve comportar-se como um bom horário de comboios: previsível, aborrecido e sempre alguns minutos à sua frente.”
Ela aprendeu que o lado emocional do conforto importa tanto quanto o lado técnico. Num dia difícil, a última coisa que quer é uma casa que pareça hostil. Por isso, incentiva as pessoas a manterem uma pequena margem - e a escreverem as temperaturas de “conforto” e “economia” num post-it junto ao termóstato, para que o pânico não reescreva as regras. Algumas “barreiras suaves” ajudam:
- Mantenha apenas dois pontos-base o ano inteiro: um para conforto, outro para poupança.
- Altere temperaturas em passos de 1–2°C, não em saltos grandes.
- Use primeiro o agendamento; ajustes manuais são a exceção, não a regra.
- Reveja o seu horário duas vezes por ano: quando começa a época de aquecimento e quando arranca a época de arrefecimento.
Esta estrutura flexível respeita a vida real, sem deixar que o caos tome conta das suas faturas.
Repensar o conforto, não apenas cortar custos
Quando os engenheiros falam em “poupança máxima”, quase sempre acrescentam uma condição silenciosa: a poupança máxima com que de facto consegue viver. O horário perfeito no papel não vale nada se o estiver a anular noite sim, noite não, porque tem os pés gelados ou o quarto abafado. Por isso, o verdadeiro jogo é a calibração pessoal. Talvez a sua temperatura de “economia” não possa descer abaixo de 19°C por causa de um bebé ou de um familiar idoso. Talvez 28°C no verão seja demais. A vitória vem mais de um intervalo consistente de 2–3°C entre conforto e economia do que de qualquer número “mágico”.
Há também uma mudança mais subtil escondida nesta ideia. Quando define um horário inteligente para o termóstato, começa a reparar noutros padrões: o quarto virado a sul que nunca arrefece como deve ser, a corrente de ar que bate sempre na mesma cadeira, a forma como o tempo de ecrã à noite o faz sentir que o quarto está mais frio do que está. Pode dar por si a vestir uma camisola em vez de carregar no termóstato. Ou a abrir a janela do quarto mais cedo ao fim da tarde para que a redução noturna pareça mais fresca, em vez de “cruel”. Pequenos hábitos, empurrados por um horário simples.
Todos conhecemos aquele momento em que a fatura de energia chega e a abre um pouco mais devagar do que o habitual. Esse receio silencioso é o que leva muita gente a olhar finalmente para o termóstato. Mas os engenheiros com quem falei não vendiam medo. Eram estranhamente otimistas. Uma pequena mudança de horário, diziam, dá-lhe mais controlo do que imagina. Pode partilhar estas definições com um vizinho, comparar notas com amigos em casas diferentes, até discutir um ou dois graus no café. Algures entre o seu conforto, a sua consciência e a sua conta bancária, há um padrão que encaixa. E quando o seu termóstato o aprende, não tem de pensar nisso todos os dias - o que, sejamos honestos, é o verdadeiro sonho.
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para o leitor |
|---|---|---|
| Quatro blocos por dia | Manhã, dia, fim de tarde/noite, noite com apenas duas temperaturas (conforto / economia) | Oferece uma rotina clara, fácil de programar e de cumprir |
| Diferença de 2–3°C | Redução moderada da temperatura quando a casa está vazia ou quando toda a gente dorme | Permite 8–15% de poupança sem sensação de privação |
| Estabilidade em vez de ajustes impulsivos | Limitar alterações manuais, usar “manter até ao próximo período” | Protege o seu plano e reduz picos de consumo dispendiosos |
FAQ:
- Qual é o melhor horário de termóstato para o inverno?
Os engenheiros de AVAC sugerem, em geral, cerca de 20–21°C quando está em casa e acordado, descendo para 17–18°C quando está a dormir ou fora, dividido em quatro blocos: manhã, dia, fim de tarde/noite, noite.- Baixar o aquecimento à noite poupa mesmo dinheiro?
Sim. O sistema funciona menos horas com uma grande diferença de temperatura em relação ao exterior, o que reduz o consumo total, mesmo que volte a aquecer a casa de manhã.- A minha caldeira ou AC não vai “trabalhar mais” se eu estiver sempre a mudar a temperatura?
Vai funcionar para atingir o novo valor definido, mas a energia total usada ao longo do dia continua a ser menor quando os períodos de redução são regulares e bem temporizados.- E se eu trabalhar a partir de casa?
Mantenha a mesma ideia, mas faça do “bloco de dia” uma temperatura de conforto nas divisões que usa e aplique uma pequena redução nas divisões onde quase não entra.- Em quanto tempo devo esperar ver poupanças?
Normalmente nota diferença já na próxima fatura, embora a comparação mais clara surja após uma época completa a usar um horário consistente.
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