Saltar para o conteúdo

Um estudo britânico revela que um eletrodoméstico triplica o consumo em modo de espera durante o inverno.

Pessoa conecta dispositivo a um router preto num espaço acolhedor com chávena ao fundo e árvore de Natal decorada.

As cortinas corridas, as pantufas calçadas, a casa parece selada contra o frio húmido lá fora. Juraria que está tudo calmo, a repousar, quase a dormir. E, no entanto, algures, escondida debaixo das escadas ou a zumbir baixinho na lavandaria, há uma caixa que, em segredo, está a engolir eletricidade. Não de forma ruidosa. Nem dramática. Apenas… constantemente.

Essa é a descoberta inquietante por detrás de um novo estudo britânico sobre energia. Aponta para um eletrodoméstico bem conhecido que, no inverno, triplica silenciosamente o consumo de eletricidade em standby - precisamente quando as faturas doem mais. E quase ninguém se lembra de o desligar.

Não é a televisão, a consola de jogos ou o carregador do telemóvel deixado na tomada.

O “devorador” escondido do inverno nas casas britânicas

Se perguntar a alguém o que está a desperdiçar energia em casa, provavelmente vai apontar para ecrãs ou luzes. Os suspeitos do costume. Mas investigadores que analisaram casas reais em todo o Reino Unido chegaram a algo muito menos glamoroso: o humilde router de banda larga e a caixa de Wi‑Fi. No inverno, este conjunto tende a trabalhar mais e durante mais tempo, puxando mais corrente à medida que as casas se enchem de mais equipamento ligado e toda a gente se recolhe dentro de portas.

No papel, parece insignificante - alguns watts aqui, alguns watts ali. Na realidade, esse comportamento “sempre ligado” vai acumulando de forma discreta. Multiplique isso por cada hora de cada noite e estenda por um inverno inteiro. Os números deixam de parecer tão pequenos.

Um estudo de monitorização, partilhado por consultores de energia britânicos que trabalharam com famílias em testes para reduzir faturas, concluiu que o consumo em standby associado a equipamento de rede doméstica - routers, repetidores, sticks e boxes de smart TV - quase triplicou entre agosto e janeiro. As mesmas casas, as mesmas pessoas, as mesmas tarifas. A única grande mudança? Mais dispositivos online durante mais tempo, mais controlos de aquecimento ligados, e famílias a passar as noites a fazer streaming em vez de sair.

Numa moradia geminada de três quartos em Leeds, os dados do contador inteligente contaram uma história direta. A carga em standby manteve-se por volta dos 40–50 watts no fim do verão. A meio do inverno, a linha de base “sempre ligada” subiu para cerca de 130–140 watts. Sem grandes eletrodomésticos novos, sem carregador de veículo elétrico, sem jacuzzi. O principal acréscimo foi um sistema de Wi‑Fi mesh e duas colunas inteligentes que nunca dormiam.

Quando os analistas retiraram da conta o frigorífico/congelador e os controlos da caldeira, o equipamento de rede destacou-se como a grande estrela. Um hub de banda larga, dois boosters, um dongle de streaming e uma set-top box em “arranque rápido” representavam uma fatia surpreendentemente grande da linha de base no inverno. As famílias não o viam porque nada parecia “ligado” no sentido habitual. Sem luzes fortes, sem tambores a rodar, sem ruído. Apenas um brilho discreto de LEDs - e o contador a somar na mesma.

Esta é a verdade incómoda do conforto moderno. Pensamos que desligar é carregar num botão. O estudo mostra que, para muito do equipamento de que agora dependemos, esse botão não significa realmente “desligado”.

Reduzir o consumo sem matar o Wi‑Fi

A primeira reação ao ouvir “os routers triplicam o consumo em standby” é imaginar arrancar a ficha todas as noites. Para a maioria das pessoas isso não é muito realista - quem trabalha a partir de casa, tem miúdos a jogar no andar de cima, ou depende de termóstatos inteligentes. Há uma alternativa mais cirúrgica que os orientadores de energia nestes testes sugeriram: identificar o que precisa mesmo de estar ligado 24/7 e colocar o resto numa extensão com temporizador ou com interruptor.

Em muitas casas, o router em si precisa de ficar ligado. Mas a box da TV com “arranque instantâneo”, a consola à espera de atualizações, o booster extra de Wi‑Fi no quarto de hóspedes? Isso pode ser agrupado numa régua de tomadas bem identificada, com um interruptor grande que se aciona ao sair da sala à noite. Um clique. Sem rastejar por baixo dos móveis.

Quem foi mais longe usou uma ficha inteligente de £10–£20 nos extras - não no router principal. Definiram horários para que os boosters mesh, as set-top boxes e os sticks de streaming desligassem automaticamente depois da meia-noite e voltassem a ligar antes do pequeno-almoço. As boxes continuavam a atualizar, mas não a noite inteira, todas as noites. Só isso retirou dezenas de libras às projeções de faturas de inverno em algumas casas do teste.

Os consultores de energia têm cuidado para não culpabilizar ninguém. Numa terça-feira escura e gelada, ninguém quer ficar num corredor com correntes de ar a desligar nós de cabos. Sejamos honestos: ninguém faz realmente isso todos os dias. Um único interruptor fácil de acionar - ou um horário pré-definido - funcionou muito melhor na vida real do que resoluções heroicas que evaporam ao fim de uma semana.

Um participante em Manchester descreveu-o sem rodeios:

“Não me importo com o que algo consome quando está realmente a fazer o seu trabalho. O que me irrita é pagar para ficar ali parado a não fazer nada enquanto eu durmo.”

Essa frase ficou com os investigadores, porque resume o objetivo de atacar o standby. Não podemos fazer desaparecer por magia aquilo de que precisamos, mas podemos cortar as partes que não acrescentam nada ao nosso conforto.

  • Router: normalmente, manter ligado pela fiabilidade e pelos controlos de aquecimento inteligentes.
  • Boosters mesh: colocar num temporizador se servem sobretudo uso ao fim do dia.
  • Boxes de TV e sticks de streaming: desativar “arranque rápido” ou desligar durante a noite.
  • Consolas de jogos: desligar totalmente em vez de “modo de repouso” entre intervalos longos.
  • Colunas inteligentes: manter a principal ligada; ponderar “adormecer” as extras em divisões pouco usadas.

Viver com menos standby sem se sentir privado

O que este estudo britânico expõe não é apenas um aparelho “culpado”. É uma tensão silenciosa entre conforto e controlo. Adoramos a conveniência de ter tudo ligado, quente e pronto, especialmente quando o tempo está miserável. Ao mesmo tempo, há aquele incómodo quando chega a fatura e percebe que existe uma drenagem constante para a qual nunca deu autorização.

O standby já não é um conceito abstrato; é aquele brilho invisível debaixo das escadas ou atrás da televisão que rouba do seu orçamento em cada noite fria. Depois de ver a linha “sempre ligada” num gráfico de um contador inteligente, não dá para “desver”. As pessoas começam a falar com vizinhos, a comparar linhas de base e a trocar pequenos truques para baixar o número - quase como comparar passos numa app de fitness.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Router e equipamento de rede Principal motor do aumento do standby no inverno devido ao uso 24/7 e a mais dispositivos Ajuda a identificar o verdadeiro “devorador” escondido, e não apenas os mitos habituais
Estratégia simples de desligar Manter o router principal ligado e agrupar dispositivos não essenciais numa régua com interruptor ou temporizador Dá uma forma realista de reduzir custos sem sacrificar conforto
Mentalidade de monitorização inteligente Observar a linha de base “sempre ligada” transforma palpites em ação clara Torna a poupança tangível e motivadora, não abstrata nem baseada em culpa

Perguntas frequentes (FAQ)

  • Que aparelho único foi apontado pelo estudo britânico como o principal culpado do standby no inverno? A investigação destacou o equipamento de rede doméstica - especialmente routers de banda larga e material Wi‑Fi associado - como a categoria que, na prática, triplica o consumo em standby no inverno, quando se contam as caixas e boosters adicionais.
  • Devo desligar o router todas as noites para poupar energia? Pode fazê-lo, mas não é prático para muitas casas com termóstatos inteligentes, alarmes ou pessoas a trabalhar até tarde. Uma abordagem mais equilibrada é deixar o router principal ligado e desligar durante a noite os extras não essenciais, como boosters, boxes de TV e consolas.
  • Quanto dinheiro posso realisticamente poupar ao reduzir o standby no inverno? Testes com famílias britânicas sugeriram que reduzir cargas desnecessárias de standby no inverno - sobretudo de equipamento de rede e entretenimento - pode poupar entre £30 e mais de £100 por ano, dependendo da tarifa e da quantidade de gadgets em casa.
  • Carregadores de telemóvel e pequenos transformadores são mesmo um grande problema de standby? Não quando comparados com routers, boxes de TV ou consolas. Um carregador esquecido na tomada consome relativamente pouco. Os maiores ganhos vêm de dispositivos que ficam quentes ao toque ou têm vários LEDs e funcionalidades de “ligação instantânea”.
  • Não é melhor focar na eficiência do aquecimento em vez de pequenas cargas de standby? O aquecimento continua a ser o grande peso das faturas de inverno, sem dúvida. Mas mudanças no aquecimento podem ser caras ou complexas, enquanto reduzir standby é normalmente barato e rápido. Muitas casas no estudo fizeram ambos: isolar e otimizar o aquecimento e cortar o desperdício invisível 24/7 em segundo plano.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário