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A psicologia destaca três cores frequentemente usadas por pessoas com baixa autoestima.

Mulher concentrada a analisar tecidos coloridos numa mesa com flores e materiais de trabalho ao fundo.

On croit souvent que notre guarda-roupa fala de estilo ou de orçamento. Na realidade, revela muito mais do que isso. Nos corredores do escritório, no metro, nas fotografias de noites com amigos, certas cores voltam como um reflexo. Preto, cinzento, bege… e, às vezes, já nem sabemos quando foi a última vez que vestimos outra coisa.
Os psicólogos começam a ver nestes hábitos cromáticos uma linguagem discreta da autoestima. Como se a escolha de uma camisola ou de um casaco traduzisse um “prefiro que não me vejam demasiado”.
A ciência não diz que a tua t-shirt te define, mas mostra tendências intrigantes. Associações. Cores que aparecem muitas vezes em quem se sente “menos do que os outros”.
E três delas destacam-se claramente nos estudos.

O Código Silencioso da Cor e da Autoestima

Nos corredores de uma faculdade de psicologia britânica, um investigador passou várias semanas a observar a roupa dos estudantes voluntários para um estudo sobre autoestima. Nada de bata branca dramática - apenas questionários, fotografias e paletas de cores.
Com o passar dos dias, surgiu um padrão. Entre os que descreviam uma confiança frágil, as mesmas tonalidades apareciam, uma e outra vez: preto profundo, cinzento apagado, bege esbatido.
Nada de chamativo, nada que prenda o olhar. Como se a mensagem silenciosa fosse: “Quero estar aqui, mas sem ocupar demasiado espaço.”

Os números vieram confirmar a intuição. Num inquérito feito a várias centenas de pessoas, quem declarava um nível de confiança baixo escolhia o preto como cor dominante do vestuário em mais de 60% dos casos. O cinzento surgia em segundo lugar, seguido de perto pelo bege e as suas variantes “nude”.
Todos já passámos por aquele momento em que vestimos “a coisa preta” porque não sabemos o que vestir, porque nos sentimos pesados, desajeitados, pouco favorecidos. Para alguns, esse momento isolado transforma-se num hábito diário.
O preto tranquiliza, o cinzento tranquiliza, o bege tranquiliza. Tornam tudo mais difuso. Dão a ilusão de que podemos passar despercebidos.

Os psicólogos falam em “estratégias de invisibilidade”. São comportamentos que consistem em reduzir voluntariamente a própria presença, a voz, a visibilidade. As cores escuras ou neutras, usadas repetidamente, fazem parte disso.
Isto não significa que todas as pessoas vestidas de preto ou de bege tenham baixa autoestima. O estilo, a cultura e a moda contam, obviamente. Mas quando estas três cores se tornam um uniforme emocional - muitas vezes combinado com cortes largos e poucos detalhes - a hipótese de uma proteção psicológica ganha força.
A roupa torna-se então uma armadura discreta. E essa armadura tem a sua paleta.

As Três Cores que a Psicologia Liga a Baixa Autoestima

A primeira cor que aparece recorrentemente nos estudos é o preto. O preto total, o preto “para não me enganar”, o preto que combina com tudo. Em entrevistas qualitativas, muitas pessoas com autoestima vacilante descrevem o preto como uma “zona de segurança”. Dizem que, de preto, se sentem menos julgadas, menos expostas, menos “visíveis fisicamente”.
O preto adelgaça, esbate contornos, apaga formas de que não gostamos. Está associado à sobriedade, ao rigor e, por vezes, a uma certa elegância. Dá para nos escondermos e, ao mesmo tempo, manter uma forma de respeitabilidade social.
Este paradoxo - esconder-se numa cor socialmente valorizada - torna-o um refúgio muito sedutor para egos frágeis.

A segunda cor é o cinzento. Nem claro nem escuro, nem alegre nem triste, ocupa esse território do meio onde nada sobressai. Investigadores repararam que pessoas que se descreviam como “tímidas”, “reservadas” ou “pouco interessantes” escolhiam o cinzento muito mais vezes como cor “confortável” para o dia a dia.
Uma jovem trabalhadora de escritório, entrevistada num estudo qualitativo, resumia assim: “De cinzento, não se erra. Não se brilha, mas também não se incomoda.”
O cinzento permite fundirmo-nos com o cenário. Sem afirmação, sem risco. Exatamente o que procura quem duvida da sua legitimidade para ocupar o espaço à sua volta.

A terceira cor é o bege e todos os seus “primos” pastel muito neutros, muitas vezes agrupados sob a etiqueta “nude”. Encontram-se tanto em camisolas como em maquilhagem, sapatos e casacos.
Psicologicamente, o bege envia uma mensagem de discrição e recuo. Faz lembrar pele, areia, paredes, fundos. Quase nunca se impõe. Psicólogos alemães salientaram que pessoas com uma imagem corporal negativa tendem a recorrer a estes tons “esbatidos” para evitar chamar a atenção para as suas formas.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias de forma consciente, a pensar “vou esconder a minha falta de confiança”. Mas, ao longo de anos, estas escolhas repetidas, quase automáticas, desenham uma paisagem interior. E essa paisagem diz muito.

Usar a Cor para Reconstruir Suavemente a Autoestima

Terapeutas que trabalham com a imagem de si usam, por vezes, um método muito simples: pedem aos pacientes para introduzirem uma única nota de cor mais afirmada por semana. Um cachecol vermelho-tijolo. Uma camisa azul profunda. Um acessório verde-escuro.
A ideia não é passar do preto total para o amarelo fluorescente de um dia para o outro. A ideia é experimentar como nos sentimos quando deixamos uma cor ocupar um pouco mais de espaço.
Em sessão, alguns contam que se sentiram expostos, quase “demasiado visíveis”. Outros, pelo contrário, falam de uma sensação de leveza e de retoma de controlo. A roupa torna-se um campo de teste, um laboratório sem risco.

Uma dica que surge muitas vezes é ousar a cor longe do rosto, no início. Uns sapatos bordô, um cinto camel, uma mala azul petróleo. Mantém-se o preto, o cinzento ou o bege perto do corpo - onde nos sentimos mais vulneráveis - e deixa-se a cor explorar o terreno à volta.
Erros frequentes? Querer mudar tudo numa semana, copiar um influenciador que nada tem a ver com a nossa morfologia ou a nossa vida, ou comprar peças coloridas que ficam no fundo do armário porque não encaixam no nosso quotidiano.
O tom que ajuda é a gentileza. Dizer: “Eu tento, eu vejo, eu ajusto.” Não: “Tenho de revolucionar o meu guarda-roupa na segunda-feira, senão falhei a minha transformação.”

Uma psicóloga especializada em terapia comportamental resume muitas vezes isto aos seus pacientes com uma fórmula simples:

“Não precisas de te vestir como a pessoa que sonhas ser daqui a dez anos. Veste-te como a tua versão com mais 5% de confiança do que hoje.”

Na prática, alguns pontos de referência podem servir de bússola:

  • Começar por uma única cor de confiança (azul, verde, tijolo…) e explorá-la em várias peças.
  • Substituir uma peça preta por azul-marinho ou antracite, menos “duro” mas igualmente fácil de usar.
  • Manter 20 a 30% de “zonas de conforto” (preto, cinzento, bege) em cada conjunto para não se sentir disfarçado.
  • Reparar nos elogios recebidos quando aparece um toque de cor: muitas vezes funcionam como ancoragem positiva.
  • Não deitar fora de imediato as peças “refúgio”: às vezes protegeram-nos, e a proteção não se desmonta de forma brusca.

Repensar o que as Tuas Cores Estão Realmente a Dizer

Olhar para o guarda-roupa através do prisma da psicologia pode ser desconfortável. Às vezes, percebemos que o nosso amor pelo preto tem menos a ver com a moda do que com o medo de nos mostrarmos. Que a nossa parede de camisolas cinzentas parece uma coleção de “dias em que não tenho muita confiança”.
Ao mesmo tempo, esta tomada de consciência pode ser libertadora. Permite compreender que nada está fixo. As cores não são uma sentença, mas uma linguagem que podemos reaprender.
Podemos continuar a gostar de preto sem nos escondermos nele. Podemos escolher o bege pela sua calma, não para desaparecer. Podemos convidar uma cor a dizer: “Estou aqui, e está tudo bem assim.”

Partilhar estas reflexões com outras pessoas também muda o jogo. Quando alguém explica porque nunca se atreveu a usar vermelho, ou como uma simples t-shirt verde desencadeou uma conversa diferente no trabalho, percebe-se que o tema ultrapassa a moda e toca a autoestima coletiva.
As três cores associadas a egos frágeis não são inimigas. Tornam-se problemáticas quando são as únicas - sempre, em todo o lado. Quando se tornam uma uniformização de si.
Talvez a verdadeira pergunta não seja: “Uso preto a mais?”, mas: “As minhas cores ainda contam uma história em que eu quero acreditar?”

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
As três cores associadas a baixa autoestima Preto, cinzento, bege/nude surgem frequentemente em pessoas que procuram tornar-se menos visíveis. Permite reler o guarda-roupa como um espelho discreto do estado interior.
Noção de “estratégia de invisibilidade” Usar tons neutros e escuros para não chamar a atenção e reduzir o risco social. Ajuda a dar nome a hábitos de vestuário automáticos e protetores.
Micro-mudanças através da cor Introduzir gradualmente toques de cor para testar uma nova relação consigo e com os outros. Oferece uma ferramenta concreta e acessível para reforçar a autoestima no dia a dia.

FAQ

  • Usar preto significa sempre que tenho baixa autoestima? Não. O preto pode ser uma escolha estética, cultural ou prática. Os estudos falam de tendências, não de diagnósticos. A questão é antes: será que não me atrevo a usar mais nada durante meses?
  • Os psicólogos estudam mesmo as cores da roupa? Sim. Vários trabalhos em psicologia social e psicologia da cor analisam ligações entre humor, autoestima e escolhas cromáticas, embora seja apenas um fator entre muitos.
  • Mudar a forma como me visto pode mesmo aumentar a minha autoestima? A roupa não substitui um trabalho de fundo, mas pode funcionar como alavanca. Ver-se de forma diferente ao espelho, receber um elogio, ousar uma cor criam micro-experiências positivas que se acumulam.
  • Que cor devo experimentar se ando sempre de preto e cinzento? Muitas pessoas começam por um azul profundo ou um verde escuro: são fáceis de usar, menos “duros” do que o preto, mas já mais vivos. A ideia é testar o que te faz sentir um pouco mais “presente”.
  • É errado sentir-me seguro com cores neutras? Não. A necessidade de segurança é legítima. O problema surge quando a segurança se transforma em apagamento sistemático. O objetivo é manter a segurança, abrindo ao mesmo tempo uma pequena janela para a expressão de si.

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