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Mantenha-se em forma na velhice com apenas dois exercícios simples.

Mulher idosa sentada numa cadeira, numa sala iluminada. Está descalça sobre um tapete de ioga, com plantas ao fundo.

O fato de treino cinzento, as sapatilhas gastas, o tipo de boné que se compra numa bomba de gasolina. E, no entanto, enquanto as pessoas passavam apressadas com cafés para levar e mochilas, ele simplesmente… levantou-se. Sem banco, sem apoio dos braços, sem balanços dramáticos. Apenas uma subida lenta e firme a partir da relva, braços cruzados, como se se levantasse do sofá lá de casa. Depois voltou a sentar-se. E repetiu.

A maioria de nós acha que manter a forma na velhice significa inscrições no ginásio, rotinas complicadas, talvez algum equipamento intimidante. A olhar para ele, parecia quase um protesto silencioso contra essa ideia. Dois movimentos simples, sem aparelhos, sem barulho. Apenas controlo, equilíbrio, confiança.

Apanhou-me a olhar e sorriu. “Prática”, disse. “Só prática.”
O estranho foi o que aconteceu a seguir.

O verdadeiro teste do envelhecimento não é a data de aniversário

A idade aproxima-se em pequenos detalhes. Não é a primeira ruga nem os óculos para ler. É o momento em que as escadas parecem mais compridas, ou quando levantar-se do sofá se transforma numa pequena negociação com os joelhos. Diz-se a si próprio que está apenas cansado, que foi um dia longo. Depois, numa manhã qualquer, percebe que está a planear os movimentos em função do que parece seguro.

Os médicos falam muito de tensão arterial e colesterol. Mas o sinal mais claro de como se vai mexer aos 70 ou 80 aparece muitas vezes nos actos mais banais. Consegue ficar em pé numa perna para calçar uma meia sem se agarrar à parede? Consegue sentar-se numa cadeira e levantar-se dez vezes seguidas sem usar as mãos? Estes pequenos testes sussurram a verdade muito antes de uma TAC ou de uma análise ao sangue.

Um estudo japonês acompanhou idosos e analisou algo muito simples: a facilidade com que conseguiam levantar-se do chão. Os que tinham dificuldades eram muito mais propensos a enfrentar problemas de saúde e até a morrer mais cedo. Outro teste brasileiro bem conhecido - o “teste de sentar e levantar” - encontrou algo semelhante: as pessoas que conseguiam sentar-se no chão e voltar a levantar-se sem usar mãos, joelhos ou apoios tendiam a viver mais tempo e a manter a independência. Sem passadeiras sofisticadas: só a gravidade e o próprio corpo.

Parece duro, mas o corpo não negocia muito. Perda de força nas pernas e o mundo encolhe: menos caminhadas, menos escadas, menos visitas. Perda de equilíbrio e, de repente, cada fenda no passeio é um perigo. O desaparecimento lento do músculo e da estabilidade não afecta apenas a aparência. Muda quem se vê, para onde se vai, o que se atreve a fazer.

A boa notícia é que os músculos e o equilíbrio respondem depressa ao treino, mesmo aos 60, 70 ou 80. Investigadores já observaram pessoas nos 90 a ganhar força com movimentos simples e repetidos. Não estamos a falar de se tornar maratonista. Estamos a falar de conseguir levantar-se do chão sem pânico. Levar as próprias compras. Manter-se de pé no autocarro sem se agarrar ao primeiro desconhecido. Dois exercícios básicos podem reconstruir, discretamente, as fundações que o envelhecimento tenta roubar.

Os dois exercícios que mudam tudo, em silêncio

O primeiro exercício é o humilde sentar-e-levantar. Sem pesos, sem tapete, apenas uma cadeira. Sente-se, pés bem assentes no chão, joelhos mais ou menos alinhados por cima dos tornozelos. Cruze os braços sobre o peito para não ser tentado a empurrar as coxas. Incline ligeiramente o peito para a frente e depois levante-se num movimento único, suave e controlado. Faça uma pequena pausa em cima. Depois sente-se novamente, devagar e com controlo.

Isso é uma repetição. Aponte para 8 a 12, descanse e faça uma segunda ronda. Se for fácil, use uma cadeira mais baixa ou faça uma terceira série. Se for difícil, comece com menos repetições e celebre cada uma. Este movimento simples acorda as coxas, os glúteos e o core. São os músculos que evitam que se “desabe” na cadeira como se tivesse corrido uma maratona até ao frigorífico.

O segundo exercício é o equilíbrio numa perna. Fique de pé ao lado de uma parede ou atrás de uma cadeira firme. Levante um pé alguns centímetros do chão e mantenha. Olhar em frente, ombros relaxados, respiração normal. Cronometre quanto tempo consegue aguentar sem se agarrar ao apoio nem tocar no chão com o pé levantado. Troque de perna. No início, pode durar apenas 5 ou 10 segundos. Está tudo bem.

Trabalhe até chegar aos 30 segundos em cada perna. Quando isso ficar mais fácil, experimente apenas roçar a ponta dos dedos na parede em vez de se segurar. Mais tarde, se se sentir confiante, tente com os olhos fechados durante alguns segundos. Isto treina os pequenos músculos estabilizadores à volta dos tornozelos, joelhos e ancas, e desafia o sistema nervoso que controla o equilíbrio. É um trabalho silencioso, mas compensa da próxima vez que o autocarro travar de repente ou que pise um lancil mais baixo do que pensava.

A maioria das pessoas salta estes básicos porque parecem simples demais. Adoramos a ideia de mudança dramática: 10.000 passos por dia, programas rígidos, equipamento brilhante em casa. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Uma rotina de dois minutos com uma cadeira? Parece quase ofensivo na sua simplicidade.

Mas é precisamente por isso que funciona. Cabe entre fazer um chá e lavar os dentes. Sem trocar de roupa, sem deslocações, sem preparação. Só você, uma cadeira e a gravidade.

Numa terça-feira húmida em Manchester, vi uma enfermeira reformada a orientar o vizinho nestes movimentos no corredor comum do prédio. Ele tinha caído no inverno anterior, num pedaço de gelo negro. Agora, três meses de “ginásio do corredor” depois, conseguia levantar-se de uma cadeira baixa dez vezes sem parar e equilibrar-se tempo suficiente numa perna para calçar as meias. Riu-se quando quase perdeu o equilíbrio. Seis semanas antes, o mesmo abanão tê-lo-ia assustado.

Todos conhecemos aquele momento em que fingimos estar bem à frente dos outros e, depois, agarramos discretamente o corrimão quando ninguém está a ver. Estes dois exercícios atacam, com suavidade, esse medo secreto. Dão-lhe algo concreto para medir: na semana passada cinco sentar-e-levantar, esta semana sete. Ontem 12 segundos de equilíbrio, hoje 16. Números pequenos, grande significado.

A chave não é a perfeição. É a repetição. O corpo não quer tanto uma forma impecável como quer esforço honesto, feito muitas vezes. Até três sentar-e-levantar trémulos num dia mau valem mais do que um treino perfeito que nunca acontece. O único erro real é achar que é velho demais para começar ou que está “fora de forma” demais para tentar.

“Comecei com três”, diz Mary, 78 anos, de Leeds. “Três sentar-e-levantar. As pernas tremiam e fiquei irritada comigo. Dois meses depois fazia quinze e discutia com o meu neto sobre quem conseguia equilibrar-se mais tempo. Nunca fui a um ginásio na vida.”

Alguns erros comuns aparecem vezes sem conta. Um deles é apressar o movimento. Mais rápido não é mais forte. A magia está em repetições lentas e controladas, em que os músculos têm de trabalhar em vez de “ressaltar”. Outra armadilha é prender a respiração. As pessoas cerram os dentes, levantam-se e esquecem-se de respirar; depois ficam tontas e desistem. Deixe a respiração acompanhar o movimento: expire ao levantar-se, inspire ao sentar-se.

No equilíbrio, o orgulho pode ser o pior inimigo. No momento em que pensa “eu devia ser melhor nisto”, o corpo fica tenso e o equilíbrio piora. É muito mais gentil - e mais produtivo - tratá-lo como um jogo em que é permitido perder.

  • Comece pelo fácil – Use uma cadeira mais alta e um apoio leve no início. Progresso é progresso, mesmo que pareça pequeno.
  • Dois minutos por dia – Uma série de sentar-e-levantar e uma de equilíbrio numa perna. Esse é o mínimo.
  • Aumente devagar – Quando ficar fácil, aumente repetições ou segundos, não mais exercícios.
  • Ouça as articulações – Esforço ligeiro é normal; dor aguda significa ajustar altura, ritmo ou amplitude.
  • Torne-o social – Faça com um parceiro, vizinho ou por videochamada para responsabilidade e uma gargalhada.

Envelhecer sem encolher a sua vida

Há uma dignidade silenciosa em conseguir mover-se no seu próprio espaço sem medo. Levantar-se do chão depois de ir buscar algo debaixo da cama. Subir os degraus do autocarro sem procurar o braço de um estranho. Ficar de pé na cozinha a fazer um chá sem ter de se encostar à bancada a meio.

Estes dois movimentos - sentar-e-levantar e equilíbrio numa perna - são enganadoramente pequenos. Mas, juntos, tocam em quase tudo o que importa fisicamente à medida que envelhecemos: força, coordenação, confiança, velocidade de reacção. Hoje, os investigadores falam em “reserva física”, a capacidade escondida que o corpo tem para lidar com stress, quedas, doença. Cada segundo extra de equilíbrio, cada levantar controlado de uma cadeira, acrescenta discretamente a essa reserva.

Não há medalha por se conseguir levantar de uma cadeira sem usar as mãos, nem vídeo viral por manter um equilíbrio tremido no corredor. Ainda assim, essas vitórias privadas são muitas vezes as que decidem se continua na sua casa, se viaja para ver amigos, se brinca no chão com os netos ou se dança num casamento aos 82 só porque passa a sua música preferida.

Não precisa de virar a sua vida do avesso, comprar equipamento ou reinventar-se como “pessoa do fitness”. Pode começar hoje à noite, com a roupa que tem agora. Uma subida firme da cadeira. Uma tentativa curta de equilíbrio em cada perna, junto ao balcão da cozinha. Só isso.

Se ao início se sentir um pouco ridículo, é normal. Se as pernas tremerem ao fim de quatro sentar-e-levantar, essa é a sua linha de partida, não uma sentença. A força não quer saber se começou aos 25 ou aos 75. O equilíbrio não quer saber se o aprendeu num estúdio de yoga ou ao lado da máquina de lavar. O seu corpo só quer saber que apareceu.

O velho no parque que se levantava tão facilmente da relva? Não estava a fazer magia. Estava apenas a praticar o básico num mundo que se esqueceu de quão poderoso o básico pode ser. A pergunta fica no ar muito depois de se afastar de cenas assim.

Como poderá ser a sua vida, daqui a anos, se hoje se der esses dois minutos?

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Reforçar o movimento “sentar / levantar” Exercício de sentar-e-levantar, 2 a 3 séries de 8 a 12 repetições numa cadeira estável Preserva a autonomia no dia a dia e reduz o risco de queda ao melhorar a força das pernas
Trabalhar o equilíbrio numa perna Manter 10 a 30 segundos por perna, perto de uma parede ou cadeira por segurança Melhora a estabilidade, a confiança e a capacidade de reagir a tropeções ou pisos irregulares
Ritual curto e regular Rotina de 2 a 5 minutos, integrada em gestos do quotidiano, sem material Torna a prática sustentável a longo prazo, mesmo para pessoas cansadas, ocupadas ou pouco “desportivas”

FAQ

  • Com que frequência devo fazer estes dois exercícios? Idealmente todos os dias, ou pelo menos quatro vezes por semana. Mesmo uma ronda curta diária desenvolve força e equilíbrio ao longo do tempo.
  • E se eu tiver joelhos problemáticos ou artrite? Use uma cadeira mais alta, mova-se mais devagar e reduza a amplitude. Se a dor for aguda ou persistente, fale com o seu médico de família ou fisioterapeuta antes de insistir.
  • Isto chega para me manter em forma à medida que envelheço? É uma base muito forte. Caminhar, alongamentos leves e actividade social trazem benefícios extra, mas estes dois movimentos, por si só, já protegem a independência.
  • Quando vou notar diferença? Muitas pessoas sentem mudanças em 3 a 4 semanas: levantar-se fica mais fácil, o equilíbrio assusta menos e as tarefas diárias exigem menos esforço.
  • Posso começar se tiver mais de 80 anos e estiver muito destreinado? Sim, comece a partir de onde está. Use apoio dos braços ou suporte se necessário e vá reduzindo a ajuda à medida que se sentir mais seguro. Passos pequenos também contam.

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