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Cortes de cabelo após os 70: quatro estilos que rejuvenescem mulheres com óculos.

Mulher idosa num salão a ser penteada; espelho e plantas ao fundo.

No consultório do oculista, a luz néon não perdoa. Anne, 72 anos, experimenta uma nova armação e apanha o seu reflexo. Os óculos assentam-lhe bem, a cor suaviza-lhe os olhos. E, no entanto, há qualquer coisa que parece “fora do sítio”. O cabelo, ainda cortado da mesma forma que há dez anos, de repente parece pesado e um pouco triste. Inclina a cabeça, puxa a franja para o lado, prende uma madeixa atrás da orelha. Nada resulta. A armação grita “moderno”, o corte sussurra “ontem”.

A vendedora sugere, com naturalidade: “Com esses óculos novos, podia experimentar um corte mais leve e mais curto.” Anne ri e desvaloriza, mas a frase fica. Em casa, em frente ao seu espelho, levanta o cabelo na nuca, imagina laterais mais curtas, uma franja que segue a linha da armação. O rosto parece mudar em segundos. Menos cansado. Mais definido. Quase maroto.

É aí que se percebe: depois dos 70, o penteado certo e os óculos certos não coexistem apenas. Fazem equipa.

Porque é que o cabelo muda depois dos 70 (e o que isso significa quando usa óculos)

Por volta dos 70, o cabelo raramente se comporta como aos 40. Fica mais fino, mais liso, por vezes mais áspero. Os cabelos brancos crescem em direções diferentes, o volume desaparece no topo da cabeça e o comprimento passa a pesar. Quando se juntam os óculos à equação, cada linha do rosto ganha um “par”: a linha da franja com a linha da armação, a curva da maçã do rosto com a haste dos óculos.

O olhar já não vê cabelo e óculos em separado. Lê um conjunto. Um corte comprido, liso e sem volume com uma armação retangular grossa pode “puxar” os traços para baixo. Um bob muito escuro e marcado com uns óculos metálicos pequeninos pode endurecer o rosto. Um corte suave e leve, que acompanha a armação, pelo contrário, eleva o visual. Não muda o seu rosto. Muda a arquitetura à volta dele.

Pense no seu cabelo como o “fundo” dos óculos. Um fundo liso e ligeiramente arredondado suaviza armações fortes. Um fundo mais estruturado e com camadas dá energia a óculos simples e minimalistas. Quando cabelo e armação vão na mesma direção - ambos pesados, ambos direitos, ambos escuros - o resultado tende a envelhecer. Quando um traz suavidade e o outro traz estrutura, o conjunto parece, de repente, mais desperto.

Quatro cortes favorecedores que refrescam o rosto (sem “lutar” com os óculos)

Primeiro aliado: o pixie suave em camadas. Não o corte “à tropa”, mas uma versão feminina e esbatida, que acompanha o crânio e emoldura a testa. Em cabelo que afinou, as camadas no topo criam elevação imediata. À volta das orelhas, uma textura subtil revela as hastes dos óculos em vez de as esconder debaixo de uma massa rígida. O efeito é leve, limpo, quase etéreo.

Numa mulher com armações grossas de plástico escuro, um pixie suave com topo ligeiramente mais comprido puxa o olhar para cima. Liberta o pescoço, abre a linha do maxilar e evita que os óculos pareçam demasiado “pesados”. Para quem tem receio do curto, peça ao cabeleireiro para deixar um pouco de comprimento à frente para varrer sobre a testa. Resultado: uma franja discreta que encontra o topo da armação e desfoca linhas na testa sem “fechar” o rosto.

Segundo aliado: o bob com movimento, à altura da maçã do rosto. Um pouco abaixo da bochecha, um pouco acima do maxilar, com as pontas suavemente viradas para dentro ou com uma onda ligeira. Este comprimento é mágico com óculos. Cria uma “moldura dentro da moldura”: os óculos emolduram os olhos; o bob emoldura as maçãs do rosto. O truque é evitar cortes muito gráficos e afiados que compitam com as linhas dos óculos. Um bob suave e arredondado, com uma ligeira graduação, mantém o ar jovem em vez de severo.

Terceiro aliado: franja lateral ligada à armação. Funciona tanto em cortes curtos como em meios comprimentos. A franja nasce um pouco mais acima, em diagonal, e “aterra” mesmo por cima da armação, seguindo a sua curva. Encurta uma testa comprida, disfarça algumas rugas e devolve o foco aos olhos. Em cabelo fino, peça uma franja “véu” em vez de uma franja espessa e densa. O objetivo é transparência, não uma cortina pesada a bater nos óculos.

Quarto aliado: o corte leve a roçar os ombros, para quem não quer encurtar demasiado. Depois dos 70, cabelo muito comprido tende a arrastar o rosto para baixo, sobretudo com óculos que já chamam a atenção para o centro da face. Um corte que pare na clavícula, com camadas discretas à volta do rosto, traz movimento. Com armações metálicas finas ou acetato translúcido, pode ficar vivo, artístico, sem parecer que está a “tentar demasiado” parecer jovem.

A verdade simples: não precisa de mais cabelo para parecer mais nova; precisa de cabelo melhor colocado. Menos alguns centímetros atrás, mais suavidade à frente, e a geometria do rosto muda. As maçãs do rosto aparecem, as olheiras parecem mais leves, o maxilar define-se. O corte certo não grita “anti-idade”; apenas deixa que voltem a ver a si - e não o seu corte de 1998.

Como falar com o seu cabeleireiro (e evitar o efeito “capacete com óculos”)

Entre no salão com os óculos postos, não escondidos na mala. Sente-se e olhe para si ao espelho exatamente como se vê no dia a dia. Depois incline a cabeça, sorria, faça uma cara séria, levante o queixo. Veja onde a armação assenta no nariz, onde “corta” a bochecha, onde termina nas têmporas. Esse é o mapa a partir do qual o cabeleireiro deve trabalhar.

Comece a conversa não com “quero parecer mais nova”, mas com “quero que o meu cabelo e os meus óculos trabalhem juntos”. Mostre os problemas atuais: cabelo a achatar contra as hastes, franja a cair sobre as lentes, volume no sítio errado. Peça três coisas específicas: mais elevação no topo, suavidade nas têmporas e movimento à volta da linha do maxilar. Estes três pontos quase sempre rejuvenescem um rosto com óculos.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que acenamos educadamente quando o cabeleireiro sugere “um pouco mais curto, fica mais fresco” e saímos com um “capacete” que endurece os traços. O efeito “capacete com óculos” acontece quando o cabelo é cortado todo na mesma linha, sem leveza à volta das orelhas ou das têmporas. Em cortes curtos, insista em zonas pequenas e afuniladas perto das hastes dos óculos. Em meios comprimentos, peça que as camadas comecem à altura da armação, não abaixo do queixo.

Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias. Mas se o seu corte for pensado para assentar bem com os óculos, não vai precisar de 20 minutos de escova todas as manhãs. Um levantar rápido na raiz com os dedos enquanto seca, um toque de creme de styling nas pontas, e está feito. O objetivo não é um brushing digno de revista. É uma forma que volte ao lugar mesmo depois de uma sesta no sofá.

“Aos 75, deixei de levar fotos de celebridades para o salão”, ri Marie, que usa armações vermelhas marcantes. “Levo uma foto minha em que me sinto bem e pergunto ao cabeleireiro: como é que voltamos a este sentimento, com os meus óculos de hoje?”

  • Chegue com os óculos postos e mantenha-os durante toda a consulta.
  • Peça ao cabeleireiro para observar o corte de perfil, onde as hastes dos óculos encontram o cabelo.
  • Prefira pontas leves e texturadas em vez de linhas rígidas e muito marcadas.
  • Pense “suavidade junto ao rosto, estrutura atrás” para um efeito de elevação.
  • Marque retoques a cada 6–8 semanas para o corte não “cair” sobre a armação.

Cabelo, óculos e idade: escolher um estilo que pareça consigo hoje

Há uma pressão silenciosa sobre mulheres com mais de 70: ser “natural”, mas não demasiado. Ter “idade”, mas sem “parecer velha”. O cabelo e os óculos estão exatamente no cruzamento dessas expectativas. Um corte muito clássico e uma armação discreta podem apagá-la. Um corte radicalmente trendy com óculos oversized e excêntricos pode parecer fantasia. Algures entre os dois está o seu estilo real.

A pergunta é menos “Que corte me faz parecer mais nova?” e mais “Que corte faz brilhar os meus olhos e o meu sorriso, mesmo com rugas e óculos?” Os quatro cortes acima são pontos de partida, não regras. Um pixie suave numa pessoa mais tímida pode parecer demasiado exposto. Um bob à altura da maçã do rosto numa pessoa que adora lenços e brincos pode ser o palco perfeito para os acessórios. Cabelo fino e grisalho pode ficar luminoso com uma franja transparente a tocar armações redondas. Cabelo espesso e ondulado pode ser domado num corte a roçar os ombros que “dança” à volta de óculos metálicos leves.

Os visuais mais favorecedores depois dos 70 partilham os mesmos ingredientes: leveza junto ao rosto, linhas que elevam em vez de arrastar, e um diálogo entre cabelo e armação em vez de rivalidade. Não há limite de idade para mudar o corte. Há apenas um momento em que o espelho deixa de combinar com o que sente por dentro. Quando isso acontece, uns centímetros de cabelo e uma nova armação podem realinhar a imagem.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Ajustar o corte às linhas da armação Suavizar óculos fortes com cortes arredondados e texturados; dar energia a armações simples com formas estruturadas Rosto imediatamente mais fresco e equilibrado sem mudanças drásticas
Priorizar volume e leveza junto ao rosto Elevação no topo, suavidade nas têmporas, movimento na linha do maxilar Efeito visual de “lifting” que leva o olhar para os olhos e o sorriso
Usar a consulta no salão de outra forma Manter os óculos, mostrar as zonas problemáticas, pedir camadas feitas à medida perto da armação Reduz o risco do corte “capacete” que envelhece e poupa tempo no styling diário

FAQ:

  • Que corte é melhor se tenho cabelo muito fino e uso armações grossas? Pixies suaves em camadas ou bobs curtos com ligeira graduação funcionam bem. As camadas no topo criam volume e pontas mais leves suavizam o contraste com armações marcantes.
  • Posso manter o cabelo comprido depois dos 70 se usar óculos? Sim, mas aponte para comprimento pela clavícula ou pelos ombros, com camadas suaves à volta do rosto. Cabelo muito comprido e liso pode arrastar os traços para baixo, especialmente com óculos.
  • A franja resulta com óculos na minha idade? Franjas laterais ou tipo “véu” são ideais. Encontram o topo da armação, desfocam linhas na testa e mantêm o visual leve. Evite franjas muito espessas e direitas que assentem sobre as lentes.
  • Com que frequência devo cortar o cabelo para manter uma forma rejuvenescida? A cada 6 a 8 semanas para cortes curtos; a cada 8 a 10 semanas para bobs ou comprimentos pelos ombros. Depois disso, o corte tende a “cair” sobre a armação.
  • Que cor de cabelo favorece mulheres com mais de 70 que usam óculos? Tons suaves e luminosos funcionam melhor: grisalho natural valorizado com reflexos, bege quente ou castanho claro. Blocos muito escuros podem endurecer o rosto, sobretudo com armações escuras.

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