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Conhecido e amado pelos vizinhos, este gato generoso tem uma vida muito mais rica do que o dono alguma vez imaginou.

Gato preto com coleira e câmara caminha na calçada; pessoa dá-lhe guloseima. Gato laranja observa à distância.

Todas as manhãs, ele escapa pela porta da frente como qualquer gato comum - mas metade da vizinhança acha que ele lhes pertence.

Numa rua residencial tranquila, um gato preto, de pelo brilhante, transformou as suas deambulações diárias numa autêntica agenda social, encantando crianças, reformados e pais apressados - todos juram que ele é “o” gato deles.

O gato preto que pertence a toda a gente

Pete, um gato preto elegante e de olhos luminosos, foi adotado por Megan Holley quando ainda era um gatinho curioso, de olhos bem abertos. Desde o início, não mostrou medo de estranhos. Corria para os visitantes em vez de se esconder debaixo da cama e fazia questão de inspecionar cada saco de compras que atravessava a entrada.

À medida que cresceu, essas pequenas aventuras passaram para lá do portão do jardim. Primeiro foi a entrada da casa ao lado, depois outra rua, depois o beco sem saída junto à paragem de autocarro. Megan achou que ele estava apenas a fazer o que os gatos fazem: farejar, apanhar sol, perseguir uma folha aqui e ali.

Pete não estava apenas a patrulhar o seu território. Estava a construir uma segunda, terceira e até quarta vida a poucas casas de distância.

Os vizinhos começaram a mencionar que ele aparecia muitas vezes à porta deles. Alguns falavam de um visitante educado que miava uma vez, esperava que reparassem nele e depois se enroscava para uma sesta na cadeira do alpendre. Para Megan, parecia querido, mas inofensivo. Até que a câmara de campainha de um desconhecido mudou tudo.

A câmara da campainha que revelou a sua “vida secreta”

Um dia, uma moradora de uma rua próxima publicou num grupo local de mensagens a perguntar se alguém reconhecia um gato preto simpático que aparecia constantemente à sua porta. Partilhou imagens do vídeo da campainha a mostrar Pete a subir o caminho como se fosse dono da casa.

Megan reconheceu-o imediatamente. Era o seu gato, a rebolar no capacho de boas-vindas de outra pessoa, com um ar completamente à vontade.

Durante duas semanas, a vizinha alimentou o Pete, deu-lhe mimos e assumiu que talvez fosse um vadio à procura de uma família.

Quando Megan respondeu, abriu-se uma pequena comporta. Outros vizinhos juntaram-se para dizer que também lhe tinham dado petiscos, ou que ele os visitava regularmente só para receber festas. Um disse que ele tinha um sítio preferido no jardim onde fazia as sestas da tarde. Outro brincou que ele conhecia o som do armário das guloseimas melhor do que o próprio cão da casa.

Um gato com várias “famílias”

Longe de ficar envergonhada, Megan ficou fascinada. Pete tinha construído cuidadosamente uma rede de amizades humanas, cada uma baseada em visitas regulares e carinho partilhado. Quando ela dava a volta ao quarteirão, as pessoas apontavam para ele e usavam expressões como “o nosso Pete” ou “o gato que aparece para o chá”.

Mesmo depois de a vizinhança perceber que ele definitivamente não era vadio, toda a gente continuou a mimá-lo. Ele manteve as casas extra e os convites para “refeições”. Megan limitou-se a atualizar a medalha da coleira e a garantir que os dados do microchip estavam claros, para que ninguém tentasse adotá-lo de forma permanente.

  • Manhã: cumprimentar adolescentes na paragem de autocarro
  • Meio-dia: sestas nos alpendres e sofás dos vizinhos
  • Tarde: ronda de guloseimas na rua seguinte
  • Noite: mimos de “bebé” em casa com a Megan

O mascote não oficial da paragem de autocarro

Uma das “funções” favoritas de Pete acontece duas vezes por dia, sempre no mesmo sítio. As crianças da escola local dizem que ele faz parte da rotina delas. De manhã, desce até à paragem de autocarro, serpenteando entre mochilas e sapatos, aceitando festas na cabeça de estudantes sonolentos à espera do autocarro.

À tarde, aparece novamente quando as portas do autocarro se abrem. Espera pacientemente enquanto os miúdos descem e depois caminha com eles pelo passeio, recebendo carícias pelo caminho.

Parece que todos os adolescentes daquela rota conhecem o Pete pelo nome. Para eles, ele transforma uma espera aborrecida num pequeno momento alto do dia.

Os vizinhos enviam muitas vezes fotografias à Megan: Pete deitado no passeio rodeado de miúdos sorridentes, ou empoleirado num muro baixo como um pequeno supervisor peludo a vigiar a rua. Tornou-se uma presença constante, suave e de quatro patas, durante os anos de escola deles.

O amigo que ele levou para casa

As capacidades sociais do Pete não se limitam a humanos. Uma tarde, chegou à porta da Megan com outro gato atrás - um ruivo confiante que parecia igualmente à vontade.

Ao início, Megan assumiu que o recém-chegado era sem-abrigo e precisava de ajuda. O gato ruivo continuava a voltar com o Pete, brincando no jardim e espreitando pela porta. Megan começou a perguntar pela vizinhança, até descobrir que ele, na verdade, vivia na rua imediatamente atrás da casa deles.

Os dois gatos tinham claramente decidido fundir os seus territórios e os seus círculos sociais. Os vizinhos agora dizem vê-los a andar lado a lado, a descansar juntos nos relvados, ou a trocar de jardins como quem troca de cafés.

Como o Pete consegue manter-se seguro nas suas aventuras

Gatos com acesso livre ao exterior podem enfrentar riscos, do trânsito a disputas territoriais. Megan tenta encontrar um equilíbrio entre deixar o Pete desfrutar do estilo de vida que escolheu e mantê-lo o mais seguro possível.

Ela mantém algumas regras básicas:

  • Pete usa uma coleira de libertação rápida com um número de telefone bem visível.
  • Está castrado, vacinado e tem microchip.
  • Entra em casa durante a noite e em dias de mau tempo.
  • Os vizinhos sabem que não devem dar-lhe refeições completas, apenas pequenos petiscos.

Estas precauções não eliminam todo o perigo, mas reduzem os maiores riscos do dia a dia. A comunicação com os vizinhos, desencadeada por aquela primeira mensagem com o vídeo da campainha, tornou-se uma rede de segurança. Se o Pete alguma vez parecer doente ou aparecer num sítio invulgar, meia dúzia de pessoas estão prontas para enviar uma mensagem à Megan.

Um gato sociável com vida no exterior está mais protegido quando toda a rua se sente responsável por ele, não apenas uma casa.

Porque é que alguns gatos constroem “vidas paralelas”

Especialistas em comportamento animal falam muitas vezes dos gatos como independentes e solitários, mas muitos são surpreendentemente virados para a comunidade. Um gato confiante e bem socializado pode construir uma rede de locais e pessoas familiares, tal como uma pessoa tem os seus cafés ou bancos preferidos.

Vários fatores tornam isto mais provável:

  • Um bairro calmo, com pouco trânsito, jardins e alpendres.
  • Experiências positivas com humanos desde cedo.
  • Ausência de medo perante estranhos ou ruído.
  • Pessoas dispostas a parar, conversar e oferecer uma festa suave.

No caso do Pete, o pelo preto e a natureza descontraída desafiam velhas superstições. Em alguns países, os gatos pretos ainda têm mais dificuldade em ser adotados devido a mitos e à forma como ficam nas fotografias. No entanto, o Pete conseguiu tornar-se o animal mais conhecido da rua - adorado por famílias que, talvez, antes passassem por um gato preto sem lhe dar uma segunda olhadela.

Está a pensar deixar o seu gato andar à solta? Pontos a considerar

Histórias como a do Pete podem ser comoventes, mas levantam questões reais para cuidadores de gatos. Nem todos os gatos lidam bem com um estilo de vida errante, e nem todas as zonas são adequadas.

Aspeto Gato com acesso livre ao exterior Gato apenas de interior
Estimulação Alta: cheiros, pessoas, vida selvagem Tem de ser criada com brinquedos, arranhadores/escalada e brincadeira
Segurança Risco de trânsito, lutas, roubo Protegido da maioria dos perigos do exterior
Saúde Precisa de controlos regulares e controlo de parasitas Menor exposição a doenças, risco de tédio
Impacto na vizinhança Pode visitar outros, caçar vida selvagem, usar jardins Impacto mínimo fora de casa

Alguns cuidadores escolhem um caminho intermédio: tempo no jardim com supervisão, passeios com arnês ou “catios” (varandas/recintos fechados para gatos) que permitem sol e ar fresco sem liberdade total. Outros, como a Megan, confiam numa forte comunicação de bairro e numa identificação clara para um gato extrovertido que se recusa a ficar atrás de uma vedação.

Um passo prático para quem tem um “socialite” ao estilo do Pete é uma nota simples impressa na coleira: “Tenho casa, por favor não me alimentem” ou “Estou de dieta, sem comida extra”. Isso pode evitar aumento de peso ou dietas incompatíveis, deixando ainda espaço para o carinho.

Como os vizinhos podem apoiar um gato comunitário em segurança

Se um gato simpático visita regularmente a sua casa, há formas de desfrutar da ligação reduzindo o stress para o cuidador que talvez ainda não conheça:

  • Verifique se há medalha na coleira ou peça a leitura do microchip num veterinário antes de assumir que o gato não tem casa.
  • Ofereça água e pequenos petiscos em vez de refeições completas.
  • Tire fotografias e partilhe-as em grupos locais para encontrar o cuidador.
  • Evite prender o gato dentro de casa; deixe-o entrar e sair livremente.

Quando bem gerido, um gato como o Pete pode tornar-se mais do que um animal de estimação. Transforma-se numa espécie de “cola” emocional para uma vizinhança: uma cara familiar para crianças em idade escolar, companhia para reformados, um ponto de conversa entre desconhecidos e, no fim de cada dia atarefado, ainda um “bebé” sonolento nos braços da pessoa que o levou para casa pela primeira vez.

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