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Em 2026, a mudança da hora será antecipada, alterando o pôr do sol e podendo afetar significativamente as rotinas diárias das famílias no Reino Unido.

Pai e filha jantam à mesa da cozinha; jovem ao fundo segura um casaco. Ao entardecer, casas visíveis pela janela.

Às 16h23, numa tarde cinzenta de outubro em Manchester, o parque já está a esvaziar. Os pais encaminham as crianças para as portas dos carros, quem passeia o cão lança um olhar ao céu, e aquele pânico familiar da luz a desaparecer começa, silenciosamente. Uma mulher verifica o telemóvel, franze o sobrolho e murmura: “Para o ano vai ser ainda mais cedo, não vai?” Ao lado dela, um rapaz com a camisola da escola faz a pergunta mais britânica de todas: “Isto já é hora de ir para a cama?”

Não damos pelo tempo a mudar num único momento grande e dramático. Ele vai-se insinuando em deslocações mais escuras, jantares apressados e naquela sensação estranha de o dia acabar antes de realmente ter começado. Agora, com a mudança da hora de 2026 a ser antecipada em todo o Reino Unido, essa mudança lenta está prestes a acelerar.

O sol vai pôr-se, e a sua rotina pode vacilar.

Pôr do sol mais cedo, stress mais cedo: como 2026 vai mesmo ser

A manchete parece técnica: em 2026, os relógios vão mudar mais cedo, empurrando o Reino Unido, suavemente, para noites mais escuras antes do habitual. No papel, é um pequeno ajuste. Na vida real, significa idas à escola em meia-luz, trabalhadores de escritório a sair para o que parece e se sente como noite, e famílias a tentar enfiar “o tempo de dia” numa janela cada vez mais curta.

A primeira segunda-feira depois da mudança é sempre o teste. As pessoas entram pela cozinha a avaliar mal as horas, as crianças dizem “estou cansado(a)” antes sequer de começar o noticiário, e a casa inteira parece ligeiramente fora de sintonia consigo própria. Desta vez, esse desequilíbrio pode ser mais acentuado. O sol não vai esperar que nos ajustemos.

Imagine uma terça-feira normal no final de outubro de 2026. Em Leeds, um pai desliga-se do seu escritório em casa às 17h e vai para a sala de estar, que já parece sombria. O filho de sete anos está estendido no sofá, com o olhar vidrado por causa da televisão depois da escola. Lá fora, os candeeiros de rua já começam a piscar e a acender-se. Quando o jantar chega à mesa, a energia da família já desceu com a luz.

Ele tinha planeado levar a filha ao parque para um passeio rápido de bicicleta antes do chá, mas o céu mudou no que pareceu serem minutos. Esse pequeno hábito perdido não soa a grande coisa, mas ao longo de semanas esses momentos ao ar livre vão-se acumulando… na ausência. Menos ar fresco, mais ecrãs, pavios mais curtos. O tipo de mudança lenta que só se nota quando toda a gente parece um pouco mais acelerada e mais esgotada.

Há uma razão para isto bater tão forte. Os nossos relógios biológicos afinam-se pela luz, não pelos números no mostrador do forno. Quando a mudança da hora acontece mais cedo, a distância entre “o que o relógio diz” e “o que o nosso cérebro sente” fica maior durante algum tempo. As crianças têm fome à hora errada. Os adolescentes não conseguem adormecer e depois falham ao acordar. Os adultos sentem-se com jet lag apesar de não terem saído do próprio bairro.

Os locais de trabalho também sentem: quebras de concentração, mais idas ao café, respostas mais bruscas em reuniões. O país inteiro fica um pouco mais rabugento, um pouco mais atordoado. Culpa-se o tempo, as crianças ou o trânsito - mas, por baixo de tudo, é o pôr do sol que puxa os cordelinhos, em silêncio.

Pequenos ajustes que suavizam o choque em casa

Uma das formas mais simples de lidar com a mudança da hora mais cedo é começar a deslocar as suas noites antes da mudança oficial. Nada de saltos enormes. Apenas 10–15 minutos mais cedo para jantar, banhos, trabalhos de casa e hora de deitar, a cada poucos dias, nas semanas anteriores.

Parece quase fácil demais, mas esse deslizamento gradual dá ao seu cérebro - e ao corpo das crianças - uma vantagem. Acenda os candeeiros mais cedo, reduza as luzes fortes de teto um pouco mais cedo, e crie uma “aterragem suave” no fim da tarde. Um lanche às 15h30, uma caminhada às 16h, ecrãs desligados um pouco mais cedo do que o normal. Está, discretamente, a ensinar à sua casa um novo ritmo antes de o sol impor um por vocês.

Há uma armadilha em que muitos caem: esperar pelo próprio fim de semana da mudança da hora e depois tentar reajustar toda a gente num único movimento dramático. A hora de deitar muda de repente uma hora, as horas de acordar tornam-se caos, e a casa toda fica desalinhada durante dias. Sejamos honestos: ninguém consegue fazer isto todos os dias sem falhas.

A vida é confusa. Os horários derrapam. Tudo bem. O objetivo não é a perfeição, é um empurrãozinho suave. Se o seu adolescente está habituado a estudar até tarde, peça-lhe para trazer isso 10 minutos para mais cedo esta semana, mais 10 na próxima. Se costuma jantar às 19h, veja o que acontece se se sentarem à mesa às 18h45. Pequenas alterações, repetidas, vencem sempre um grande anúncio de “nova rotina”.

Falámos com a Kate, mãe de três filhos em Bristol, que transformou discretamente a mudança da hora de outono num ritual familiar. “As crianças chamam-lhe ‘a época do aconchego’”, ri-se. “Começamos a antecipar tudo sem sequer dizer que o estamos a fazer. As luzes acendem-se às quatro, aparece chocolate quente antes dos trabalhos de casa, e damos uma volta ao quarteirão enquanto o sol desce. Quando os relógios mudam, os corpos deles já quase acompanharam.”

  • Ajuste em passos de 15 minutos – Antecipe refeições, banhos e horas de deitar em blocos de um quarto de hora ao longo de 2–3 semanas.
  • Use a luz como ferramenta – Manhãs mais luminosas, fins de tarde mais suaves, candeeiros em vez de luzes de teto agressivas quando o sol baixa.
  • Crie um hábito “âncora” – Uma caminhada diária, um lanche ou uma história sempre à mesma (nova) hora para sinalizar a mudança.
  • Proteja primeiro o sono – As rotinas podem ser flexíveis, mas horas consistentes de dormir e acordar ajudam toda a gente a lidar.
  • Fale abertamente com as crianças – Uma conversa simples sobre “os relógios mudarem” ajuda-as a dar nome ao que estão a sentir.

A vantagem escondida de escurecer mais cedo: o que pode mudar para melhor

Há outro lado desta história que é fácil de perder quando estamos a resmungar para o céu. Uma mudança da hora mais cedo em 2026 pode funcionar como um botão de reinício, de certa forma. As noites mais escuras empurram-nos a traçar uma linha mais clara no fim do dia de trabalho. Aquele momento em que fecha o portátil e olha para a janela negra ganha, de repente, mais peso. Diz: “Chega por hoje.”

Algumas famílias podem descobrir que os jantares ficam menos apressados, as conversas aprofundam-se um pouco, e jogos de tabuleiro ou livros voltam a entrar onde antes havia deslocações tardias. Quando o mundo lá fora fecha mais cedo, a vida em casa tem a oportunidade de se expandir para o espaço que fica.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Ajustes suaves na rotina Ajustar refeições e horas de deitar em 10–15 minutos nas semanas antes da mudança Reduz a sensação de “jet lag” e as batalhas à hora de deitar
A luz como sinal Usar manhãs mais luminosas e iluminação mais suave e mais cedo ao fim do dia Ajuda o relógio biológico a adaptar-se de forma mais fluida a pores do sol mais cedo
Hábitos “âncora” em família Introduzir um ritual diário regular associado ao novo horário Dá a crianças e adultos um ponto de referência estável num horário em mudança

Perguntas frequentes (FAQ):

  • Pergunta 1 A mudança da hora mais cedo em 2026 vai afetar todo o Reino Unido?
  • Sim, a mudança aplicar-se-á a todo o Reino Unido, embora a forma como se sente varie. As pessoas na Escócia e no Norte, onde as tardes escurecem mais depressa, provavelmente notarão a alteração com mais intensidade do que as que vivem mais a sul.
  • Pergunta 2 Quanto tempo costuma demorar a adaptação a uma mudança da hora?
  • A maioria dos adultos precisa de cerca de três a sete dias para se sentir estabilizada, enquanto as crianças mais novas podem demorar um pouco mais. Planear um ajuste gradual antes da mudança ajuda a encurtar esse período mais “instável”.
  • Pergunta 3 Pores do sol mais cedo podem mesmo afetar o humor e a saúde mental?
  • Sim, dias mais curtos e menor exposição à luz natural estão associados a menos energia e quebras de humor em algumas pessoas. Pequenas mudanças como caminhadas à hora de almoço, lâmpadas de fototerapia e rotinas consistentes podem suavizar esse impacto.
  • Pergunta 4 Devo mudar a hora de deitar do meu filho de uma vez ou aos poucos?
  • Aos poucos funciona melhor. Antecipar a hora de deitar em passos de 10–15 minutos a cada poucos dias tende a causar menos discussões, menos cansaço extremo e menos despertares às 5 da manhã.
  • Pergunta 5 Há algo que os locais de trabalho possam fazer para ajudar os funcionários a adaptarem-se?
  • Movimentos simples ajudam muito: reuniões de manhã perto de janelas, horários de entrada flexíveis na primeira semana e expectativas mais suaves em relação à produtividade enquanto os relógios biológicos de todos recuperam. Um e-mail simples a reconhecer que “esta semana vai parecer estranha” vale mais do que muitos manuais de RH.

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