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Preparo sempre este prato de inverno com antecedência para relaxar à noite – e faz sempre sucesso.

Pessoa a servir estufado de vegetais numa taça, com panela e ingredientes na bancada de cozinha iluminada.

Across França, muitos cozinheiros caseiros estão, discretamente, a confiar no mesmo truque: uma blanquette de peixe preparada com antecedência - um prato cremoso de tacho único que cozinha em lume brando e espera pacientemente até que todos estejam prontos para comer.

Porque é que este prato de inverno está a conquistar quem tem a vida atarefada

A receita que anda a circular nas cozinhas francesas neste momento é uma versão de peixe da clássica blanquette, normalmente feita com vitela. Desta vez, o bacalhau fresco (ou o escamudo) é a estrela, envolvido num molho aveludado de vinho branco e natas, com cogumelos e cebola.

É o tipo de prato que se cozinha uma vez, se aquece duas e se desfruta três - sem parecer que se está a comer sobras.

A plataforma francesa de culinária Marmiton refere que a sua blanquette de peixe tem uma classificação de 4,8 em 5, com centenas de comentários de cozinheiros caseiros. Muitos dizem o mesmo: preparam-na no dia anterior, ou no início da tarde, para que, à hora do jantar, só tenham de a aquecer e cozer arroz ou massa.

A receita base: uma blanquette de peixe reconfortante

Ingredientes-chave para quatro pessoas

A versão amplamente partilhada em França mantém a lista de ingredientes curta e acessível:

  • 600 g de filetes de bacalhau fresco ou escamudo
  • 400 g de cogumelos laminados em lata
  • 15 cl de vinho branco seco
  • 15 cl de natas (leves ou para bater)
  • 1 cebola
  • Manteiga para cozinhar
  • Farinha para envolver o peixe
  • Sal e pimenta
  • 1 bouquet garni (um pequeno molho de ervas)

O método é clássico da cozinha caseira francesa: amolecer a cebola em manteiga, desglasar com vinho, enriquecer com natas e depois escalfar suavemente o peixe.

Passo a passo, em linguagem simples

O processo de confeção é simples - e isso faz parte do seu encanto.

  1. Corte a cebola finamente e deixe-a amolecer num tacho grande ou numa caçarola com uma noz de manteiga, até ficar translúcida e ligeiramente dourada.
  2. Junte os cogumelos escorridos e mexa para que absorvam os sucos da manteiga.
  3. Adicione o vinho branco e deixe fervilhar durante alguns minutos, para que o álcool evapore.
  4. Envolva as natas, junte o bouquet garni, tempere com sal e pimenta e deixe o molho engrossar suavemente em lume brando.
  5. Entretanto, seque o peixe com papel de cozinha e passe-o levemente por farinha, sacudindo o excesso.
  6. Coloque os pedaços de peixe no molho quente, tape e deixe escalfar em lume brando cerca de 20 minutos, até ficar cozinhado e tenro.

Depois de pronto, o prato pode ser consumido de imediato ou arrefecido e guardado no frigorífico para mais tarde.

Porque funciona tão bem como refeição preparada com antecedência

O que distingue esta blanquette de um jantar rápido de peixe na frigideira é a sua natureza “perdoável”. O molho suave permite reaquecer o peixe sem o deixar seco e fibroso, desde que o lume se mantenha baixo.

Para pais que concilham trabalhos de casa, deslocações e jantar, uma refeição destas - “à espera no frigorífico” - pode ser a diferença entre stress e uma mesa tranquila.

O prato é também nutricionalmente equilibrado. O bacalhau fresco e o escamudo são peixes magros, ricos em proteína, com pouca gordura e poucas calorias, mas com boas quantidades de iodo e vitaminas do complexo B. As natas trazem alguma indulgência, mas o tamanho da porção e os acompanhamentos - arroz vaporizado, cevada, ou até uma boa dose de feijão-verde - ajudam a manter o equilíbrio.

Como planear para uma noite mais fácil

Para quem quer reduzir a cozinha de última hora, o timing é essencial. Um plano realista pode ser este:

Hora do dia O que fazer
Manhã Descongelar o peixe no frigorífico (se estiver congelado); verificar na despensa se há cebolas, vinho e natas.
Hora de almoço ou início da tarde Cozinhar a blanquette por completo, depois deixar arrefecer e refrigerar no próprio tacho.
Noite Reaquecer suavemente em lume brando, cozinhar arroz ou massa, juntar um acompanhamento de legumes.

Este padrão serve tanto para quem trabalha em regime remoto como para quem chega tarde a casa. A parte ativa da confeção fica resolvida muito antes da correria do jantar.

Pequenos ajustes que mudam tudo

Tornar mais leve, mais rica… ou mais “amiga das crianças”

A receita base francesa é fácil de adaptar ao gosto ou a necessidades alimentares:

  • Versão mais leve: substituir metade das natas por leite ou por um caldo neutro; engrossar com uma colher de chá de farinha, se necessário.
  • Opção sem glúten: envolver o peixe em amido de milho (maisena) em vez de farinha de trigo, ou saltar esse passo.
  • Agradar às crianças: cortar o peixe em pedaços pequenos, reduzir ligeiramente o vinho e juntar um punhado de ervilhas perto do final da cozedura.
  • Mais sabor: adicionar um pouco de sumo de limão no fim ou uma colher de mostarda Dijon batida no molho fora do lume.

Usar cogumelos em lata ajuda a controlar o custo, mas cogumelos frescos trazem um sabor mais profundo se tiver tempo para os saltear primeiro.

O que servir com blanquette de peixe

Em muitas casas francesas, o arroz é a escolha automática, por absorver bem o molho cremoso. Mas há outras opções:

  • Tagliatelle ou outra massa longa, para um toque mais italiano
  • Puré de batata, para uma refeição mais pesada e reconfortante
  • Batatinhas cozidas a vapor, envolvidas com salsa e manteiga
  • Pão rústico e uma taça grande de salada, para uma versão mais leve

O verdadeiro objetivo é o contraste: peixe e molho macios no prato, e algo com um pouco mais de “mordida” a acompanhar.

Segurança alimentar e reaquecimento: o que é importante saber

Cozinhar com antecedência levanta questões habituais de segurança alimentar. O peixe é mais delicado do que a carne, por isso as regras básicas contam. O prato deve arrefecer relativamente depressa, sem ficar horas em cima do fogão. Transferir a blanquette para um recipiente pouco fundo ou retirar a tampa para deixar o vapor sair ajuda a chegar mais rapidamente à temperatura do frigorífico.

Depois de refrigerada, a blanquette aguenta cerca de dois dias. Para reaquecer, o ideal é fazê-lo em lume brando e com calma: lume médio-baixo no fogão, com um pouco de água ou leite se o molho tiver engrossado demasiado. Ferver não ajuda; pode tornar o peixe rijo e talhar o molho de natas.

Porque é que os “mijotés” à francesa se adaptam aos horários modernos

A blanquette de peixe faz parte de uma família maior de pratos a que os franceses chamam plats mijotés - tachos cozinhados lentamente, feitos para ficar a borbulhar durante horas. Tradicionalmente, estas receitas eram pensadas para quem saía de casa de manhã e voltava ao meio-dia para uma refeição a cozinhar calmamente.

Os cozinheiros modernos estão a adaptar essa lógica. Em vez de cozinhar o dia inteiro, prepara-se o tacho uma vez e guarda-se no frigorífico. O efeito é surpreendentemente semelhante. Os sabores fundem-se, o molho torna-se mais suave, e o prato acaba por saber ligeiramente melhor no dia seguinte.

Numa época em que os dias são curtos e as contas da energia pesam, um tacho único que alimenta toda a família parece reconfortantemente eficiente.

Para quem planeia as refeições da semana, esta blanquette pode encaixar numa rotina de inverno mais ampla, ao lado de outros essenciais feitos com antecedência: um tacho de sopa de lentilhas, um tabuleiro de legumes assados, ou uma dose de coxas de frango marinadas prontas para o forno. Usada desta forma, deixa de ser uma receita pontual e passa a ser uma estratégia de inverno - uma que permite fechar o portátil, acender uma vela e comer algo quente sem andar a correr pela cozinha às 20h.

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