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Esta nova técnica é a mais eficaz para encontrar emprego.

Homem trabalha no portátil com luzes de anel, numa mesa de café, enquanto outra pessoa está ao fundo.

Um método mais silencioso e mais inteligente está a dominar rapidamente.

Na Europa e nos EUA, os recrutadores dizem estar a afogar-se em candidaturas online, enquanto o sucesso nas contratações se desloca discretamente para outros canais. Uma parte crescente dos empregos vai agora para pessoas que nunca carregaram em “Candidatar-me”, o que levanta uma grande questão para quem está a pensar mudar de carreira: como é que se é encontrado em vez de se perder no meio da multidão?

O lento declínio da candidatura online clássica

Durante anos, procurar emprego significava aprimorar o CV, escrever uma carta de apresentação e candidatar-se nas grandes plataformas. Esse caminho continua a ser importante, mas o seu impacto está a diminuir. Dados do Glassdoor para 2025 mostram que as candidaturas online representam cerca de 60% das ofertas de emprego registadas, abaixo dos 73% de há apenas alguns anos.

Os recrutadores descrevem o sistema como sobrecarregado. Candidaturas em massa, ferramentas de um clique e cartas de apresentação escritas por IA transformaram muitos portais de emprego em máquinas de ruído. Quando centenas ou milhares de candidatos se candidatam em poucas horas, até bons perfis desaparecem na pilha.

As candidaturas online ainda dominam em volume, mas já não dominam onde as contratações realmente acontecem.

A especialista em recrutamento JT O’Donnell disse à CNBC (EUA) que espera um declínio claro no preenchimento de vagas através de portais de emprego tradicionais. O argumento é simples: o processo tornou-se disfuncional para ambos os lados. Os candidatos sentem-se ignorados; os recrutadores sentem-se soterrados. Essa tensão está a impulsionar uma mudança para formas de contratação mais diretas, informais e direcionadas.

A nova estratégia vencedora: ser abordado, não apenas candidatar-se

Nos bastidores, outro canal está a crescer discretamente: pessoas a serem encontradas e contactadas por recrutadores, em vez de acontecer o inverso. Segundo os dados mais recentes do Glassdoor, a proporção de contratações provenientes de contactos diretos de recrutadores aumentou 72% desde 2023, representando agora perto de 15% das contratações bem-sucedidas.

Os números são ainda mais impressionantes quando entram recomendações em jogo. Entre julho de 2024 e julho de 2025, os candidatos que conseguiram uma entrevista graças a uma referência tiveram 35% mais probabilidade de receber uma proposta do que aqueles que chegaram por uma candidatura online standard.

Ser recomendado ou abordado diretamente funciona agora como um multiplicador das suas hipóteses de conseguir o emprego.

A O’Donnell prevê que, em 2026, esta mudança se acelere, com menos pessoas a serem contratadas através de candidaturas em massa e mais através de canais informais: redes, plataformas sociais e pesquisas direcionadas por recrutadores.

Do CV à “marca pessoal”: o que os recrutadores agora esperam ver

Esta mudança não significa que deva apagar o seu CV ou deixar de se candidatar. Significa que enviar documentos já não é suficiente. Para ser encontrado, precisa de uma presença online visível, coerente e credível - especialmente em plataformas profissionais como o LinkedIn.

A O’Donnell chama a isto construir a sua “marca pessoal”, essencialmente a história profissional que conta sobre quem é, o que sabe e como trabalha. Essa história é composta pelo seu perfil, pela sua atividade e pelo conteúdo que partilha.

Quando um recrutador procura as suas competências, o seu perfil deve mostrar claramente experiência no setor, provas de competência e atividade recente.

Cinco tipos de conteúdo que aumentam as suas hipóteses de ser contactado

No LinkedIn e em plataformas semelhantes, os candidatos que publicam de forma ponderada tendem a destacar-se. A O’Donnell destaca cinco ângulos de conteúdo úteis que criam um sinal forte para os recrutadores:

  • Observações do setor: publicações curtas sobre tendências, notícias ou mudanças na sua área.
  • Perspetivas claras: opiniões honestas sobre ferramentas, métodos ou práticas da indústria, sustentadas por exemplos.
  • Atualizações sobre o seu trabalho: o que está a construir, a melhorar ou a aprender atualmente na sua função.
  • Listas e lições: listas concisas como “3 coisas que aprendi a gerir equipas remotas” ou “5 erros a evitar em X”.
  • Conquistas concretas: resultados que entregou, enquadrados com números ou impactos claros.

Publicações curtas e regulares funcionam melhor do que um ensaio longo ocasional. Os recrutadores não olham apenas para as suas funções anteriores, mas também para a forma como pensa, comunica e se mantém atualizado. Um perfil silencioso pode parecer uma carreira parada, mesmo quando isso não é verdade.

Como transformar a sua presença online num íman de oportunidades

Transformar o seu perfil num íman para recrutadores não exige estatuto de celebridade. Depende de clareza, consistência e um pouco de coragem.

Comece pelo básico: higiene do perfil

Antes de escrever qualquer publicação, reveja os detalhes essenciais do seu perfil. Pequenas alterações podem influenciar significativamente se aparece nas pesquisas e se um recrutador se dá ao trabalho de o contactar.

  • Título (headline): vá além do cargo. Acrescente as suas competências-chave ou nicho, por exemplo, “Analista de dados | Retalho & estratégia de preços”.
  • Fotografia: use uma imagem recente, neutra e simpática. Não precisa de ser de estúdio.
  • Secção “Sobre”: escreva 5–7 linhas a explicar o que faz, quem ajuda e que resultados traz.
  • Experiência: descreva conquistas, não apenas responsabilidades. Acrescente números sempre que possível.
  • Competências: foque-se nas 10–15 competências mais relevantes para as funções que quer a seguir.

O seu perfil deve ler-se como uma proposta clara: aqui está o que eu consigo fazer, para quem, e com que impacto.

Depois construa visibilidade: pequenas ações regulares

Quando a base estiver pronta, passe para o modo de atividade. O objetivo não é impressionar toda a gente, mas tornar-se visível para as pessoas certas.

Rotina semanal prática:

  • Comentar de forma ponderada 3–5 publicações de pessoas do seu setor.
  • Partilhar 1 notícia ou artigo com uma breve reação pessoal.
  • Publicar 1 post original sobre uma tarefa recente, um desafio ou uma lição.
  • Enviar 3–4 pedidos de ligação a pessoas que considera genuinamente interessantes.

Estes pequenos passos deixam um rasto do seu pensamento e dos seus interesses. Ao fim de algumas semanas, recrutadores e responsáveis de contratação começam a ver o seu nome com mais frequência, encurtando a distância quando precisam de preencher uma vaga.

Networking sem parecer falso

Muitos profissionais ainda associam networking a conversa de circunstância forçada ou mensagens desconfortáveis. A nova técnica aproxima-se mais de curiosidade estruturada: contactar para aprender, não para pedir um emprego.

Em vez de escrever “Olá, pode ajudar-me a encontrar uma função?”, pode experimentar mensagens como:

  • “Vi a sua publicação sobre X. Nós enfrentamos um desafio semelhante na minha empresa. Importa-se de partilhar como a sua equipa o abordou?”
  • “Estou a tentar transitar para marketing de produto e reparei na sua mudança a partir de vendas. Estaria disponível para uma chamada curta sobre o que mais a ajudou?”

Perguntas bem pensadas constroem relações que muitas vezes se transformam em oportunidades, mesmo que nunca peça explicitamente um emprego.

Com o tempo, estes contactos podem tornar-se fontes de referências. Quando ouvirem falar de uma vaga, é mais provável que se lembrem de si do que de alguém que apenas envia um CV anónimo através de uma plataforma.

Riscos, limites e como manter o realismo

Esta mudança para marca pessoal online e networking traz vantagens claras, mas também alguns riscos. Nem toda a gente se sente confortável em ser visível. Alguns setores continuam conservadores, e certos empregadores monitorizam de perto publicações públicas.

Três pontos exigem atenção:

  • Confidencialidade: evite partilhar números internos, nomes de clientes ou detalhes sensíveis do seu emprego atual.
  • Tom: opiniões fortes podem atrair atenção, mas negatividade constante ou ataques pessoais podem afastar recrutadores.
  • Equilíbrio: publicar todos os dias sem substância pode parecer ruído em vez de competência.

Há também uma divisão digital. Pessoas menos ativas online, ou em funções práticas com pouco tempo de ecrã, podem ter mais dificuldade com esta estratégia. Para elas, o networking offline - eventos do setor, encontros locais, associações profissionais - pode desempenhar um papel semelhante: mais visibilidade e mais referências.

O que isto significa para diferentes tipos de candidatos

A mesma técnica não será idêntica para toda a gente. Um engenheiro de software, um enfermeiro e um supervisor de armazém não usam exatamente as mesmas ferramentas, mas todos beneficiam de ser mais fáceis de encontrar.

Cenários concretos:

  • Mudança de carreira: alguém a passar de finanças para tecnologia pode publicar sobre cursos online, pequenos projetos pessoais e reflexões sobre o que está a aprender. Os recrutadores veem compromisso, não apenas intenção.
  • Gestor a meio da carreira: partilhar pequenos estudos de caso sobre gestão de equipas, mudanças de processo ou redução de custos mostra liderança para além do cargo.
  • Recém-licenciado no início de carreira: projetos, estágios, funções em associações estudantis e trabalho em part-time tornam-se conteúdo que demonstra responsabilidade e potencial.

Uma noção útil aqui é o “mercado de trabalho oculto”: funções que não são formalmente anunciadas, ou que são preenchidas rapidamente através de contactos e recomendações. Uma marca pessoal visível, combinada com networking deliberado, abre mais portas para esse espaço do que qualquer modelo de carta de apresentação.

Para muitos profissionais, a técnica mais eficaz para encontrar trabalho já não começa com carregar em “candidatar-me”. Começa semanas ou meses antes, com um perfil que comunica de forma clara, uma rede que reconhece o seu nome e pequenas ações diárias que o tornam mais fácil de contactar no momento em que um recrutador começa a procurar.

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