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Guerra na Ucrânia: Drone explosivo encontrado na Lituânia e aumento de casos de HIV no exército russo.

Pessoa em uniforme militar opera drone em área restrita, com veículo militar e soldados ao fundo.

À medida que os combates na Ucrânia entram no quarto ano, estão a surgir novas ameaças longe da linha da frente - desde um drone russo carregado de explosivos que acabou na Lituânia até a um alegado aumento acentuado de infeções por VIH a alastrar no exército russo.

Drone russo com explosivos alarma a Lituânia

A Lituânia está a pressionar a NATO para uma resposta rápida, após confirmar que um drone militar russo, transportando explosivos, se despenhou no seu território no final de julho.

A 28 de julho, um drone russo atravessou a fronteira lituana e caiu numa zona rural a pouca distância da Bielorrússia, segundo responsáveis em Vilnius. O incidente abalou um país que já vive na linha da frente do confronto da Rússia com o Ocidente.

Um drone militar da Rússia violou o espaço aéreo lituano e foi mais tarde detetado como transportando um engenho explosivo, que teve de ser neutralizado no local.

A procuradora-geral da Lituânia, Nida Grunskiene, disse aos jornalistas que os investigadores encontraram uma carga explosiva no interior da aeronave não tripulada. Equipas especializadas desativaram-na no local da queda. Não foram registados feridos, mas o choque político foi imediato.

Vilnius pediu agora “medidas imediatas” à NATO para reforçar a defesa aérea do flanco oriental da aliança. O recém-nomeado secretário-geral da NATO, Mark Rutte, confirmou publicamente que a aeronave era um drone militar russo e que violou o espaço aéreo lituano - que é também espaço aéreo da NATO.

Acidente ou teste aos limites?

Os procuradores dizem que uma hipótese de trabalho é que o drone se tenha desviado da rota por acidente durante operações perto da fronteira bielorrussa. A Rússia usa frequentemente drones para reconhecimento e para ataques do tipo kamikaze na Ucrânia e em zonas ocupadas.

Ao mesmo tempo, as autoridades lituanas não excluem a possibilidade de ter sido uma sondagem deliberada às defesas da NATO.

Os investigadores estão a tratar a incursão acidental como o cenário principal, enquanto avaliam teorias paralelas que incluem um possível teste aos tempos de reação dos aliados.

O incidente ocorre num contexto de queixas repetidas dos Estados bálticos sobre a pressão russa e bielorrussa: ciberataques, campanhas de desinformação e violações do espaço aéreo. Para pequenos membros da NATO como a Lituânia, cada episódio aumenta o receio de um erro de cálculo que possa ativar a cláusula de defesa coletiva da aliança.

Porque é que este drone importa para a NATO

A queda da aeronave tornou-se um caso-teste sobre como a NATO reage quando a guerra na Ucrânia se derrama fisicamente para além das fronteiras. As autoridades lituanas pretendem:

  • Mais aviões de combate aliados destacados para policiamento aéreo sobre os Bálticos
  • Sistemas adicionais de defesa aérea, incluindo unidades móveis, perto da fronteira com a Bielorrússia
  • Regras mais claras sobre como responder caso drones armados ou mísseis voltem a entrar no espaço aéreo da NATO

Para os residentes junto à fronteira, o incidente sublinhou quão pequena é a distância entre a vida local e as linhas da frente de um confronto mais amplo. Agricultores da zona disseram aos média locais que agora reportam qualquer ruído desconhecido no céu, receando que possa ser mais um drone.

Seis mortos à medida que os ataques se intensificam longe da frente

Enquanto a Lituânia lida com o incidente do drone, a Ucrânia volta a contar vítimas civis.

As autoridades locais referiram que seis pessoas morreram na terça-feira em ataques russos no sul e no nordeste da Ucrânia. Ao mesmo tempo, quatro pessoas morreram em bombardeamentos ucranianos de zonas sob ocupação russa, segundo responsáveis apoiados por Moscovo.

A cidade ucraniana de Lozova sofreu o que líderes locais descreveram como o ataque mais intenso desde fevereiro de 2022, com dezenas de drones lançados em simultâneo.

Em Lozova, a mais de 80 quilómetros da linha da frente, na região de Kharkiv, duas pessoas morreram e infraestruturas ferroviárias foram danificadas. O presidente da câmara afirmou que a Rússia usou 34 drones contra a cidade e a área circundante. A força aérea ucraniana declarou ter abatido 29 drones no norte e no leste do país durante a mesma noite.

Uma guerra de drones em mudança

As duas histórias - Lozova e a Lituânia - mostram como o uso de drones nesta guerra continua a evoluir:

Localização Tipo de incidente Principal preocupação
Lozova, Ucrânia Ataque massivo de drones contra a cidade e um nó ferroviário Destruição da logística e vítimas civis
Lituânia Queda de um drone russo armado em território da NATO Risco de escalada para além da Ucrânia

Para a Ucrânia, os drones são uma ameaça diária, impondo investimento constante em defesa aérea e equipas de reparação rápida. Para membros da NATO na fronteira, um único drone pode levantar questões sobre a prontidão da aliança e as intenções da Rússia.

Casos de VIH disparam dentro das forças russas

A par destes desenvolvimentos militares, uma crise mais discreta, mas grave, estará a alastrar dentro do próprio exército russo. Um artigo de investigação do Carnegie Politika, um instituto sediado em Berlim e focado na Rússia, estima que os casos de VIH entre militares russos tenham aumentado cerca de 2.000% desde o início da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022.

Os investigadores associam o aumento de infeções por VIH entre tropas russas a relações sexuais sem proteção e ao consumo de drogas, agravados pelo fraco acesso ao tratamento.

Não se trata de números oficiais russos. Moscovo mantém um controlo apertado sobre dados de saúde relacionados com as forças armadas. Ainda assim, a avaliação do think tank baseia-se em entrevistas, estatísticas regionais divulgadas e relatos de médicos e de famílias de soldados.

Como a guerra alimenta uma epidemia

Vários fatores parecem estar a impulsionar o aumento:

  • Longas comissões longe de casa, muitas vezes com supervisão limitada
  • Aumento do trabalho sexual em torno de bases militares e de localidades ocupadas
  • Uso de drogas injetáveis em condições stressantes na frente de combate
  • Testes ao VIH irregulares e estigma que desencoraja o tratamento

A Rússia já enfrentava um problema grave de VIH antes de 2022, com uma das maiores epidemias da Europa. A guerra acrescentou caos a uma resposta de saúde pública já frágil. Hospitais de campanha concentram-se em cuidados de trauma, não em infeções crónicas. Comandantes podem evitar reportar casos para manter unidades de combate no efetivo máximo.

Para o exército, infeções por VIH em larga escala podem corroer a prontidão. O VIH não tratado enfraquece o sistema imunitário, aumentando o risco de outras doenças e reduzindo a aptidão para combate. Com o tempo, o custo dos cuidados médicos também aumenta - um peso para umas forças armadas já esticadas por campanhas prolongadas.

O que o VIH significa para os soldados e as suas famílias

Para lá da estratégia, o impacto humano é brutal. Soldados infetados podem só descobrir o seu estado durante exames médicos básicos ou após regressarem a casa doentes. O estigma continua forte em muitas regiões russas, sobretudo em comunidades conservadoras que fornecem uma elevada proporção de recrutas.

As famílias enfrentam frequentemente silêncio por parte das autoridades. As notificações oficiais referem “doença grave” ou “complicações” sem especificar VIH. Esposas e parceiras podem não perceber que precisam de fazer testes. Assistentes sociais e ONG independentes que antes prestavam apoio têm sido restringidas ou rotuladas de “agentes estrangeiros”, reduzindo a rede de proteção.

Termos-chave e cenários para o futuro

O que o VIH e os drones significam para a próxima fase da guerra

Tanto o incidente do drone na Lituânia como o aumento de VIH nas fileiras russas mostram como o conflito continua a expandir-se em direções inesperadas.

Por um lado, o risco de acidentes ou erros de cálculo cresce à medida que drones, mísseis e sistemas de guerra eletrónica operam perto das fronteiras da NATO. A queda de uma aeronave semelhante numa vila lituana populosa - ou na vizinha Polónia ou Letónia - poderia desencadear um confronto diplomático grave, mesmo que ninguém ficasse ferido.

Por outro lado, problemas de saúde dentro das forças russas podem enfraquecer unidades de forma silenciosa ao longo do tempo. Uma força a lidar com aumento de VIH, trauma não tratado e consumo de drogas pode ter dificuldades de disciplina e coesão, sobretudo durante rotações prolongadas ao longo de uma frente extensa.

Compreender o VIH numa zona de guerra

O VIH (vírus da imunodeficiência humana) ataca o sistema imunitário. Sem tratamento, pode evoluir para SIDA, deixando o organismo vulnerável a infeções que normalmente seriam controláveis. A terapêutica antirretroviral permite que pessoas com VIH vivam vidas longas e muitas vezes saudáveis, e reduz drasticamente o risco de transmissão.

Em zonas de guerra, é difícil garantir análises regulares ao sangue, fornecimento estável de medicação e aconselhamento confidencial. Os soldados são deslocados rapidamente, os registos médicos perdem-se, as farmácias ficam sem stock. Os comandantes concentram-se na força de combate de curto prazo, não na saúde a longo prazo. Nesse ambiente, a infeção espalha-se silenciosamente por quartéis, localidades ocupadas e veteranos que regressam.

Se o conflito continuar durante anos, a interação entre operações militares, colapsos de saúde pública e incidentes transfronteiriços como a queda do drone na Lituânia irá moldar tanto o campo de batalha como as sociedades em redor. A guerra na Ucrânia já não se limita às trincheiras; atravessa agora hospitais, aldeias fronteiriças e a vida privada dos soldados enviados para a combater.

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