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Penteados após os 60: Diga adeus ao French bob, o “Riviera bob” é o corte mais jovem deste verão.

Mulher sorridente de cabelo grisalho num salão de cabeleireiro, enquanto as mãos do cabeleireiro ajustam o seu cabelo.

A cabeleireira mal tinha acabado de prender a capa à volta dos ombros quando Marie, 63 anos, disparou: “Nada de bob francês desta vez. Não quero parecer ‘clássica’, quero parecer viva.”
A hairstylist fez uma pausa, sorriu e puxou uma fotografia no telemóvel: uma mulher beijada pelo sol numa esplanada em Nice, cabelo à altura do queixo a roçar o maxilar, ligeiramente despenteado, cheio de luz. “Isto”, disse ela, “é o bob Riviera. É o que todas as minhas clientes nos cinquenta e sessenta e tal estão a pedir.”

Ao espelho, os olhos de Marie iluminaram-se.
Não mais nova de forma artificial, mas mais livre.

É esta a revolução silenciosa que está a acontecer nos salões este verão.

Bob Riviera: o primo ensolarado do bob francês

O bob francês reinou durante anos: arrumado, definido, um pouco rígido nas extremidades. Querido, sim. Na moda, sim. Mas depois dos 60, muitas mulheres estão a achá-lo ligeiramente demasiado “menina de escola”.

O bob Riviera chega com uma energia completamente diferente.

Imagine o mesmo comprimento, algures entre o queixo e o topo do pescoço.
Agora suavize tudo: contornos um pouco esbatidos, pontas ligeiramente desfiadas, movimento que parece que acabou de sair de um barco na Côte d’Azur.
É menos “peça de museu” e mais “tarde preguiçosa numa esplanada com um copo de rosé bem fresco”.
Esse detalhe muda tudo num rosto maduro.

Num salão movimentado em Cannes, a proprietária confessa que quase sete em cada dez mulheres com mais de 55 anos que pedem um corte curto nesta estação acabam por escolher um bob Riviera.
Não por causa de uma celebridade ou de um desafio viral, mas porque o corte é fácil de usar.

Uma cliente no final dos 60 entrou com uma fotografia de um bob francês muito geométrico.
Depois de uma consulta rápida, a stylist sugeriu pontas mais compridas, mais leves, e um contorno mais suave à volta do maxilar.
Acrescentaram uma risca ao lado e algumas madeixas subtis junto ao rosto.
Ela saiu sem aquela rigidez de “acabei de cortar o cabelo”.
Conhece aquele ar em que o corte entra na sala antes de si?
Aqui foi o contrário.

Há uma razão para este novo bob resultar tão bem depois dos 60.
Os traços tendem a suavizar, a textura da pele muda, e linhas muito rígidas à volta do rosto podem começar a parecer severas em vez de chiques.

O bob Riviera substitui cantos marcados por movimento e luz.
A linha ligeiramente “quebrada” do corte desvia a atenção de flacidez ou linhas finas, e o volume leve nas laterais equilibra a zona inferior do rosto.
Em vez de enquadrar a cara como parênteses, o cabelo roça e levanta-a visualmente.
O resultado não é “tentar parecer ter 30”, é dar ao rosto uma energia suave de elevação.
É esse tipo de juventude que soa credível.

Como pedir um bob Riviera aos 60 (sem sair do salão a chorar)

O primeiro passo não são as tesouras, é a conversa.
Chegue com pelo menos duas ou três fotografias de bobs Riviera de que goste, em mulheres com uma textura de cabelo semelhante à sua.

Diga claramente ao seu cabeleireiro: quer um bob com movimento, não uma linha rígida.
Peça que o comprimento fique entre a base da orelha e o topo dos ombros, consoante o seu pescoço e maxilar.
Insista na suavidade do contorno: uma linha ligeiramente irregular, algum desbaste interno para criar movimento e uma risca que não fique “pregada” num sítio.
Depois faça a pergunta-chave: “Como é que isto vai crescer ao fim de três meses?”
Um bom bob Riviera aguenta a fase de crescimento sem virar um capacete.

Há uma armadilha clássica depois dos 60: ir demasiado curto, demasiado direito, demasiado polido.
Com medo de “cabelo desalinhado”, por vezes escolhemos cortes que parecem seguros, mas congelam a expressão.

O bob Riviera pede que aceite um bocadinho de imperfeição.
Aquela pequena viragem nas pontas, aquela madeixa que se recusa a alinhar perfeitamente?
É esse o encanto.
O erro comum é tentar penteá-lo como um bob francês, com escova redonda e um brushing rigoroso que apaga o ar do corte.
Sejamos honestas: quase ninguém faz isto todos os dias.
Fale com o seu stylist sobre quanto tempo está, realisticamente, disposta a gastar de manhã, e ajuste comprimento e camadas a essa realidade.

“O objetivo não é parecer mais nova, é parecer você mesma em férias”, sorri Caroline, cabeleireira em Paris que testa discretamente todos os cortes novos primeiro nas suas clientes mais fiéis com 60+. “Quando me dizem ‘As minhas amigas dizem que pareço descansada’, sei que o bob é o certo.”

  • Escolha um contorno suave, não uma linha afiada como uma lâmina, para evitar endurecer os traços.
  • Mantenha comprimento suficiente para prender uma madeixa atrás da orelha, para um efeito descontraído e levantado.
  • Adicione madeixas leves que enquadrem o rosto em vez de um loiro “bloco” em toda a cabeça.
  • Finalize com uma mousse leve ou spray texturizante, não com séruns pesados que fazem o cabelo cair.
  • Planeie cortes a cada 8–10 semanas para manter o bob arejado, em vez de colapsar num quadrado.

Mais do que um corte: um pequeno ato de rebeldia de verão depois dos 60

O que torna o bob Riviera fascinante não é só o corte em si.
É o que as mulheres estão a dizer quando o escolhem.

Aos 60, 65, 70, muitas vezes há pressão - da família, de colegas, às vezes de nós próprias - para “manter a discrição”.
O bob Riviera faz, silenciosamente, o contrário.
Diz: quero luz à volta do meu rosto. Quero movimento quando caminho. Quero cabelo que brinque com o vento, não cabelo que peça desculpa por existir.
Todas já passámos por isso: aquele momento em que apanha o seu reflexo numa montra e pensa: “Esse corte pertence à pessoa que eu era, não à que sou agora.”

Este novo bob é uma forma de alinhar o exterior com o interior.
Não precisa de se despedir nem de se mudar para a beira-mar para sentir essa mudança.
Às vezes começa com uma decisão pequena: pedir ao seu cabeleireiro para cortar um pouco mais suave, um pouco mais leve, um pouco mais livre do que da última vez.

Algumas mulheres vão combiná-lo com transição de grisalho (grey blending) ou um balayage discreto.
Outras vão manter o branco e simplesmente deixar a textura brilhar.
O denominador comum é o mesmo: a recusa em desaparecer atrás de um cabelo “prático” que não dá alegria.
Quer use vestidos ou jeans, maquilhagem ou pele ao natural, o bob Riviera fica ali como uma assinatura discreta.

Da próxima vez que se sentar na cadeira do salão e o stylist sugerir automaticamente “um bob francês clássico e bonito”, já saberá que há outras opções.
Pode pedir a versão que parece luz do sol e sal do mar, que não exige perfeição, que perdoa um dia sem brushing.

Algumas leitoras vão guardar fotografias e marcar já uma ida ao salão esta semana.
Outras vão deixar a ideia assentar até ao momento certo.
De qualquer forma, esta tendência de verão levanta uma pergunta maior: o que mudaria, no seu espelho e na sua vida, se o seu cabelo finalmente combinasse com a mulher em que se tornou?

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Estrutura suave e arejada Pontas desfiadas, camadas leves, sem linhas duras Levanta visualmente o rosto e evita o efeito “capacete” depois dos 60
Adaptado ao estilo de vida Corte pensado para ficar bem com pouca finalização diária Rotina realista, menos frustração, cabelo que se comporta entre visitas ao salão
Luz e colocação da cor Madeixas junto ao rosto ou grisalho natural valorizado Dá luminosidade à tez e um brilho jovem credível

FAQ:

  • O bob Riviera é adequado para cabelo fino depois dos 60? Sim, desde que o/a stylist trabalhe com camadas internas e texturização leve, em vez de um desbaste pesado. O objetivo é criar ar e elevação na raiz sem deixar as pontas com aspeto ralo.
  • Posso usar um bob Riviera com cabelo grisalho ou branco natural? Sem dúvida. O corte fica lindíssimo com cabelo prateado, sobretudo se usar produtos que aumentem o brilho e, talvez, algumas madeixas ligeiramente mais claras à volta do rosto para captar a luz.
  • Com que frequência devo cortar um bob Riviera para manter a forma? A cada 8 a 10 semanas é o ideal. Esse ritmo mantém o movimento e evita que o comprimento “caia” num formato plano e quadrado que endurece os traços.
  • Tenho de fazer brushing todos os dias? Não. Pode deixar secar ao ar com uma mousse leve ou creme de caracóis e depois acertar algumas madeixas com escova redonda ou prancha. O corte foi pensado para tolerar pequenas imperfeições.
  • O que digo ao meu cabeleireiro se ele/ela não conhecer o termo “bob Riviera”? Descreva como um bob suave, ligeiramente descontraído, entre o queixo e o ombro, com pontas desfiadas e movimento natural, e mostre 2–3 fotografias. Explique que quer um acabamento relaxado, beijado pelo sol, e não um bob geométrico e muito marcado.

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