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As 25 mulheres mais bonitas do mundo

Grupo de mulheres a sorrir, aplicando maquilhagem em frente a um espelho numa sala iluminada.

Outro dia, num café barulhento entre duas chamadas no Zoom, vi um grupo de turistas a tentar tirar uma selfie de grupo. Discutiam sem parar sobre quem devia ficar à frente, quem tinha o “melhor ângulo”, de quem é que o sorriso parecia “demasiado grande”. Os telemóveis passavam de mão em mão, o cabelo era volumado, os filtros testados. Ninguém reparou na mulher mais velha no canto, com cabelo prateado e um livro, com aquele tipo de rosto tranquilo de que nos lembramos sem sabermos bem porquê.

Na mesa ao lado, alguém fazia scroll no Instagram, a sussurrar: “Ela é literalmente a mulher mais bonita do mundo.”

Dei por mim a pensar: quem é que decide isso? Uma sondagem, um algoritmo, uma capa brilhante de revista?

Ou a forma como uma desconhecida te faz virar a cabeça por meio segundo a mais do que o habitual.

Os 25 rostos que continuam a mudar a ideia de “beleza”

Se pesquisares “as 25 mulheres mais bonitas do mundo”, vais encontrar listas cheias de nomes familiares: Zendaya, Beyoncé, Deepika Padukone, Margot Robbie, Lupita Nyong’o, Ana de Armas, Rihanna. Rostos que já viste mil vezes em outdoors, TikToks, passadeiras vermelhas.

São deslumbrantes, claro. Deslumbrantes com orçamento de cinema. Deslumbrantes com uma equipa inteira a tratar da luz. Mas a beleza começou a escapar dessas molduras polidas. Aparece em atrizes de cinema independente em Seul, em jogadoras de voleibol brasileiras, em pivôs de notícias quenianas, em cantoras francesas de meia-idade sem Botox e com eyeliner carregado.

O top 25? Na verdade, não se senta todo junto numa grelha arrumadinha. Espalha-se por continentes, tons de pele e anos de nascimento.

Imagina uma lista muito diferente numa parede de quarto. Uma adolescente em Lagos pode colar fotografias da Tems, da Zendaya e da própria mãe, que usa padrões Ankara arrojados e anda como se fosse dona de todas as ruas. Uma estudante em Bogotá pode ter a Anya Taylor‑Joy ao lado da Shakira, ao lado de uma YouTuber local que nunca apaga a acne.

Um rapaz em Varsóvia pode, em segredo, classificar mulheres como Gal Gadot, Taylor Russell e a professora de Biologia que um dia explicou a evolução com tanta paixão que os olhos lhe brilhavam. Nenhuma dessas listas vai aparecer numa revista, mas existem com a mesma força de qualquer ranking “oficial”.

Os algoritmos tentam achatar tudo isto em rostos em tendência e filtros uniformes, mas fora do ecrã, os top 25 de cada pessoa são feitos de memórias e de pequenos choques privados de admiração.

Cientificamente, ainda tentamos enfiar a beleza em números: rácios de simetria, proporções “douradas”, distância entre os olhos. Há até aplicações que fingem dar uma pontuação ao teu rosto de zero a dez. E, no entanto, quando se pergunta às pessoas quem é a mulher mais bonita do mundo, raramente respondem com geometria. Falam de uma gargalhada que enche uma sala, de uma cicatriz que conta uma história, da maneira como alguém te ouve como se fosses a única pessoa viva.

As revistas apoiam-se em rostos conhecidos porque a fama é fácil de medir: likes, streams, bilhetes vendidos. Mas o verdadeiro ranking da beleza é discretamente democrático, recalculado sempre que alguém entra num bar, pisa uma plataforma de comboio ou aparece num vídeo de baixa resolução que, de repente, se torna viral.

A verdade é que qualquer lista das “25 mulheres mais bonitas do mundo” diz mais sobre quem está a olhar do que sobre quem está a ser olhada.

Como as pessoas “classificam” a beleza, em silêncio, na vida real

Um hábito pequeno, mas revelador: repara no que acontece quando alguém “deslumbrante” entra numa sala cheia. As cabeças não se viram apenas para a pessoa. Inclinam-se também - quase impercetivelmente - na direção umas das outras. Micro-olhares. Pequenas confirmações. Vês pessoas a ajustar os ombros, a prender o cabelo atrás da orelha, a tocar na linha do maxilar como se a fossem redesenhar com os dedos.

Esse é o primeiro ranking, silencioso: “Onde é que eu fico ao lado dela?”

Se ouvires com atenção, a segunda vaga vem mais tarde. Ao balcão, alguém sussurra: “Parece uma estrela de cinema.” Outra pessoa diz: “Sinceramente, prefiro a rapariga do vestido verde, parece mais… real.” Uma terceira encolhe os ombros: “É gira, mas sabe-o demais.” A beleza nunca é só o rosto. É sempre a história que lhe pregamos.

Há um exercício que alguns coaches de relações fazem com grupos. Pedem a toda a gente para escrever três mulheres que consideram verdadeiramente bonitas. Não “objetivamente atraentes”. Bonitas. As pessoas começam por celebridades: Beyoncé, Angelina Jolie, Priyanka Chopra Jonas, Natalie Portman, Monica Bellucci.

Depois o coach pede que acrescentem dois nomes de mulheres que conheçam pessoalmente. E, de repente, a energia muda. As listas enchem-se de irmãs, avós com rugas profundas de riso, uma ex que usava camisolas oversized, uma caixa de supermercado cujo sorriso salvou o dia mau de alguém.

Quando leem em voz alta, a sala fica em silêncio. Sente-se: o “top 25” já não é uma competição - é uma colagem de vidas. Algo encaixa. A beleza deixa de ser comparação e passa a ser ressonância.

Há uma razão para tantas dessas listas globais de “mulheres mais bonitas” agora parecerem estranhamente iguais. Seguem o mesmo padrão: um punhado de estrelas dos EUA e da Coreia, uma ou duas atrizes europeias, uma rainha de Bollywood para cumprir quota, talvez uma lenda mais velha “para equilibrar”. Isto não é neutro. É a impressão digital do poder mediático ocidental e do soft power visual do K‑pop.

Entretanto, milhares de milhões de pessoas crescem com uma dieta visual completamente diferente no telemóvel. Estrelas nigerianas de Nollywood como Genevieve Nnaji. Atrizes tailandesas como Mai Davika. Ícones mexicanos como Eiza González. Supermodelos somalis como Iman, ainda referenciada décadas depois.

À medida que essas imagens circulam, o modelo mental de “a mulher mais bonita do mundo” estica. Devagar. Teimosamente. E, quando o teu cérebro já se expandiu para incluir tantos rostos, voltar a um único padrão estreito parece quase aborrecido.

Usar “listas de beleza” sem destruir a tua autoestima

Há um hábito simples que muda a forma como essas listas te atingem: narra-as em voz alta como se estivesses a fazer comentário. Quando vês um carrossel viral de “As 25 Mulheres Mais Bonitas de 2026”, não faças apenas scroll e não julgues o teu próprio reflexo em silêncio. Lê os nomes e acrescenta o contexto que falta com a tua própria voz.

“Ok, portanto esta lista adora claramente atrizes com menos de 30. Maioritariamente pele clara. Muito dinheiro, personal trainers e estilistas.”

Depois faz algo ligeiramente rebelde. Diz três nomes que nunca apareceriam ali, mas que existem na tua vida real, e explica porquê: “A minha vizinha Rosa, porque se ri com a barriga. A Amina da padaria, porque as cores do hijab dela combinam sempre com o céu. A minha tia, com a barriga macia e um eyeliner perfeito aos 62.”

A maior armadilha é tratar qualquer ranking como um espelho em que tens de caber. Aquela voz baixa que diz: “Se estas são as top 25, onde é que eu fico? 200? 2.000?” Assim que entras nessa matemática, já perdeste. Transformas-te no teu próprio diretor de casting mais cruel, a analisar a tua cara todas as manhãs como se fosse uma fita de audição.

Sejamos honestos: ninguém consegue fazer isto todos os dias sem pagar um preço. Isso infiltra-se na forma como entras numa sala, na forma como deixas que te tratem, na forma como envelheces.

Podes desfrutar dessas listas como desfrutas de trailers de filmes: dramáticos, exagerados, um bocado irreais. O que magoa é fingir que são um recenseamento do valor humano. As mulheres dessas capas também não acordam com o aspeto das próprias fotografias - e sabem-no.

Às vezes, uma celebridade admite, fora de câmara: “As fotografias de que vocês mais gostam são os dias em que eu me senti pior.” Essa distância entre aquilo que o mundo adora e aquilo que uma mulher realmente vive pode ser a parte mais brutal da cultura da beleza.

  • Usa listas como moodboards, não como tabelas de pontuação. Guarda looks, cores, energias de que gostas. São pontos de referência, não réguas encostadas ao teu rosto.
  • Curate o teu feed para que o teu “top 25” inclua mulheres de diferentes idades, tamanhos e culturas. O teu cérebro fica mais suave, mais gentil, quando vê variedade todos os dias.
  • Repara no que o teu corpo faz quando fazes scroll: peito apertado, respiração curta, ombros caídos. Isso é informação. Às vezes, o clique mais corajoso é o botão de sair.
  • Uma vez por semana, diz em voz alta o nome de uma “mulher mais bonita do mundo” da tua vida real. Deixa que as pessoas te oiçam elogiar algo para lá da simetria.
  • Lembra-te: és sempre o tipo de alguém. Muitas vezes, de alguém que ainda nem conheces.

Então, quem são as 25 mulheres mais bonitas do mundo, afinal?

Talvez a verdadeira resposta seja frustrante de propósito. As 25 mulheres mais bonitas do mundo são aquelas que o teu cérebro continua a repetir sem te pedir autorização. A rapariga do autocarro com os dentes tortos e a gargalhada cortante. A cantora no YouTube cuja voz falhou numa nota alta e ela se riu em vez de pedir desculpa. A superestrela global cuja presença faz um estádio ficar em silêncio.

São também as mulheres que nunca entram em algoritmo nenhum. A enfermeira que segurou a mão da tua mãe. A amiga que rapou o cabelo durante a quimioterapia. A desconhecida que parou para te ajudar a levar uma mala pelas escadas acima e sorriu o caminho todo.

As listas vão continuar a aparecer, porque gostamos de classificar, discutir e clicar. Vais ver Zendaya, Beyoncé, Deepika, Margot, Aishwarya Rai, Jodie Comer, Dua Lipa, HoYeon Jung, Selena Gomez, Taylor Swift e um elenco rotativo de novos rostos. Alguns vão mesmo tirar-te o fôlego.

A verdadeira mudança acontece no momento em que olhas para essas 25, depois olhas ao espelho e, em vez de perguntares “Eu pertenço ali?”, perguntas: “Na lista privada de quem é que eu já estou - sem sequer saber?”

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora/o leitor
Os rankings de beleza são subjetivos As listas refletem cultura, poder e histórias pessoais mais do que qualquer padrão objetivo Alivia a pressão de corresponder a ideais estreitos, ditados pelos media
Todos carregamos o nosso próprio “top 25” As pessoas misturam celebridades com mulheres da vida real que as tocaram emocionalmente Convida a honrar a beleza que já se nota fora do ecrã
Usa as listas de forma consciente Transformar rankings virais em ferramentas de inspiração, não de autojulgamento Protege a autoestima e permite continuar a desfrutar da cultura pop

FAQ:

  • Pergunta 1 Existem mesmo rankings oficiais das “25 mulheres mais bonitas do mundo”?
  • Resposta 1 Não, em nenhum sentido científico. Revistas e sites publicam as suas próprias listas com base no gosto de editores, votos do público ou métricas de popularidade, mas são mais entretenimento do que verdade absoluta.
  • Pergunta 2 Porque é que as mesmas celebridades aparecem nessas listas todos os anos?
  • Resposta 2 Porque a cobertura da beleza está ligada à visibilidade e ao marketing. Estrelas com filmes, álbuns ou campanhas grandes têm mais exposição, por isso os seus rostos parecem “óbvios” quando editores ou fãs votam.
  • Pergunta 3 As listas de beleza afetam mesmo a forma como as mulheres se sentem em relação a si próprias?
  • Resposta 3 Sim; a exposição repetida a um padrão estreito pode influenciar discretamente a autoimagem, especialmente nos mais jovens. Representação diversa e pensamento crítico ajudam a suavizar esse impacto.
  • Pergunta 4 Os homens podem apreciar estes rankings sem serem superficiais?
  • Resposta 4 Sim, se se lembrarem de que estão a ver imagens curadas, não seres humanos inteiros, e se conseguirem falar de beleza com respeito, em vez de a transformarem numa competição cruel.
  • Pergunta 5 Qual é uma forma mais saudável de pensar sobre “a mulher mais bonita do mundo”?
  • Resposta 5 Vê-la como uma categoria pessoal e mutável. A tua “mais bonita” pode mudar com o tempo, o contexto e a emoção, e pode incluir pessoas que conheces - não apenas celebridades.

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