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Nove coisas surpreendentes que deve continuar a fazer aos 70 para que as pessoas invejem a sua idade e digam “espero não ser tão aborrecido quando for mais velho”.

Mulher madura num scooter azul com flores, sorrindo e acenando. Duas pessoas ao fundo, junto ao rio.

O homem do casaco de couro vermelho tinha 72 anos.
Só descobri isso depois de o ver dançar durante uns bons dez minutos na festa de aniversário de um amigo, a perguntar-me quem era aquele desconhecido destemido, a dominar a pista como uma estrela de rock reformada. Toda a gente da idade dele estava sentada à volta da mesa, a proteger os joelhos e as histórias. Ele estava ali a viver a dele, a rir-se com o DJ, a tirar selfies com adolescentes que repetiam: “Objetivos. Objetivos absolutos.”

À saída, ouvi uma rapariga na casa dos vinte sussurrar à amiga: “Espero não ser assim tão aborrecida quando for velha.”

Essa frase ficou-me na cabeça desde então.

1. Continuar a dizer “sim” a planos de última hora

Aos 70, as pessoas esperam que digas: “Não, estou cansado” ou “Talvez noutra altura.”
Diz “sim” mais vezes do que dizes “não” e repara como, de repente, a sala muda à tua volta. Isso pode ser um brunch espontâneo ao domingo, uma ida à costa por um dia, ou um filme às 22h numa terça-feira só porque o trailer parecia divertido.

As pessoas que parecem mais jovens raramente são as que têm mais energia.
São as que ainda estão abertas a ser surpreendidas.

Uma leitora contou-me uma vez que o avô dela, com 74 anos, mantém uma “mochila de saída” preparada junto à porta. Lá dentro: uma power bank carregada, um livro, uma camisola leve, um pequeno caderno e uma escova de dentes. A regra dele é simples: se alguém liga e diz “Queres vir?”, ele olha para a mochila antes de procurar desculpas.

No verão passado, acabou num comboio noturno para as montanhas com a neta e os amigos dela. Publicaram uma foto dele a segurar uma cerveja no carro-restaurante. Choveram comentários: “Quem é este homem e pode adotar-me?”

É isto que as pessoas invejam. Não é o dinheiro. Não é a saúde. É a disponibilidade.

Há uma rebelião silenciosa em recusar viver apenas pelo horário da medicação e pelo guia de televisão.
Dizer “sim” aos 70 não significa esgotares-te. Significa escolher alguns momentos que lembram ao teu corpo que ele está ligado a uma mente curiosa.

Podes continuar a planear o descanso, as sestas, as consultas.
Mas deixa espaço vazio suficiente no calendário para que, quando a vida bater à porta, não estejas já ocupado com o tédio.

2. Vestir-te como se ainda tivesses sítios para onde ir

Olha à tua volta num supermercado numa manhã de segunda-feira e vais ver: um uniforme de resignação. Calças largas, camisolas gastas, sapatos que dizem: “Desisti de impressionar quem quer que seja.” Aos 70, recusar esse uniforme é um ato de autorrespeito.

Não tens de perseguir todas as tendências.
Só precisas de roupa que diga: acordei com um plano, não por acaso.

Há uma avó no meu prédio que põe batom vivo para ir pôr o lixo. Tem 79 anos e mais blazers do que o meu escritório inteiro. No inverno passado, vi-a com um casaco comprido cor de camelo, ténis brancos impecáveis e um cachecol azul-marinho. Nada extremo. Apenas arranjada, apurada, intencional.

Passaram dois adolescentes e um murmurou: “Uau, ela está a arrasar.”
Provavelmente nem os ouviu, mas as caras deles diziam tudo: estavam a ver uma versão da velhice que não parecia uma sala de espera.

Moda aos 70 não é enfiar-te nas calças de ganga dos 30. É recusar desaparecer. Um corte de cabelo fresco, um casaco que assenta bem, uma cor que ilumina o rosto em vez de o apagar. Pequenas escolhas que dizem eu ainda me vejo, por isso os outros também te veem.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, religiosamente.
Mas apontar para “apresentável + um pequeno toque” três ou quatro vezes por semana já te coloca naquela categoria rara de idosos de quem as pessoas falam com admiração a caminho de casa.

3. Flertar com a vida (e talvez com pessoas também)

Aos 70, tens autorização para flertar com quase tudo: ideias novas, hobbies novos, receitas novas, pessoas novas. Flertar não é sedução - é curiosidade mascarada de brincadeira.

Começa com contacto visual. Uma piada com o barista. Um elogio à mulher no elevador com as botas fixes. Esse brilho que envias cá para fora não desaparece aos 40; só precisa de ser convidado a voltar.

Um viúvo que conheci num café disse-me que, depois de a mulher morrer, se sentiu invisível. Então criou uma regra minúscula: “Três elogios por dia.” Não falsos. Reais, específicos, gentis.

“Que chapéu incrível.”
“Adoro essa mochila.”
“Tens uma gargalhada contagiante.”

As pessoas começaram a responder. Um sorriso aqui, uma conversa curta ali. Um dia, uma mulher da idade dele respondeu: “O senhor é perigoso, não é?” e desataram os dois a rir. Essa tensão, essa faísca, essa sensação de ser só um bocadinho perigoso? É assim que a inveja se vê do lado de fora.

A verdadeira inveja não tem a ver com estares a namorar aos 70.
Tem a ver com continuares em conversa com o mundo, em vez de te esconderes dele. Quando o teu tom se mantém quente, brincalhão, desperto, as pessoas pensam: “Se eles ainda conseguem fazer isto com aquela idade, talvez haja esperança para mim.”

Flertar com a vida é simplesmente recusar falar apenas de receitas médicas e do passado.

4. Aprender uma coisa ridícula nova todos os anos

Esquece as competências “úteis”. Se queres que as pessoas invejem a tua velhice, aprende pelo menos uma coisa que, no papel, pareça um bocado ridícula. Noções básicas de skate. Dança hip-hop para iniciantes. Ser DJ. Escalada indoor. Ou até dominar a aplicação que os teus netos mais usam.

Escolhe algo que te faça sentir ligeiramente parvo. Esse sentimento é prova de que ainda estás a crescer.

Conheci uma mulher de 70 anos num estúdio de cerâmica, com as mãos cobertas de barro, avental manchado como se já lá estivesse há anos. Tinha começado três meses antes. “Achei que era velha demais para ser má a alguma coisa”, disse-me. “Afinal, adoro ser má nisto.”

Publicou uma foto das taças tortas no Instagram. O comentário da sobrinha: “Se a minha tia consegue começar cerâmica aos 70, eu não tenho desculpa.”

É este o tipo de inveja que vale a pena inspirar - aquela que empurra as pessoas de volta para as próprias vidas.

Tudo na nossa cultura sussurra que, depois dos 60, deves repetir, não experimentar. E, no entanto, o teu cérebro ainda pode criar novas ligações. As tuas mãos ainda podem aprender movimentos novos. O teu orgulho pode sobreviver a uma aula de iniciantes cheia de pessoas de 20 anos.

A fórmula é simples: uma nova habilidade por ano. Não para a dominar. Só para te lembrares de que a tua história ainda não ficou presa na última página.

5. Manter um círculo de amigos “criadores de sarilhos”

Se toda a gente da tua idade com quem te dás só quer queixar-se do trânsito, dos políticos e das dores nas costas, a tua energia desce para esse nível. Os idosos que as pessoas invejam quase sempre têm pelo menos um amigo ligeiramente caótico. Aquele que sugere karaoke. Aquele que marca voos baratos. Aquele que diz: “Vamos já e logo se vê.”

Não tens de ser tu o criador de sarilhos.
Só tens de ficar perto de um.

Um casal reformado que entrevistei encontra-se todas as quintas-feiras com dois vizinhos para o que chamam o “Clube da Má Influência”. As regras são vagas: nada de conversas sérias sobre saúde, uma atividade nova por mês, anfitriões rotativos. Já experimentaram aulas de salsa, mercados de comida de rua, até uma silent disco no parque.

Os netos seguem secretamente as fotos do grupo online. Os comentários misturam incredulidade e admiração: “Quero uma reforma ASSIM.”
Ciúme embrulhado em esperança. Exatamente a reação que eles procuram, discretamente.

A gravidade social é real: afundas ou sobes ao nível das pessoas que vês mais vezes. Ficar perto de amigos brincalhões e um pouco imprudentes não significa agir como um adolescente. Significa lembrar-te de que não és feito de vidro.

E dá às pessoas mais novas uma imagem poderosa: uma versão dos 70 que não parece exílio da diversão.

6. Falar sobre dinheiro, sexo e arrependimentos sem sussurrar

Uma das coisas mais chocantes que podes fazer aos 70 é falar sem rodeios. Sobre dinheiro. Sobre o teu corpo. Sobre aquilo de que te arrependes e o que farias diferente. Não de forma pesada, como sermão, mas no estilo “Aqui vai a história real”.

As pessoas mais novas estão famintas desse tipo de honestidade.
Estão habituadas a filtros, não a verdades.

Uma vez ouvi uma mulher de 71 anos, num almoço de família, dizer casualmente: “Se pudesse voltar atrás, começava terapia aos 30 e deixava de me preocupar com as minhas coxas.” A mesa ficou em silêncio. Ela continuou: “E poupava 10% de cada ordenado, mesmo quando doía. Foi isso que construiu a minha liberdade agora - não foi sorte.”

Mais tarde, a neta disse-me que escreveu aquelas duas frases nas notas do telemóvel: “Regras da avó.” Isto é inveja transformada em ação.

Quando falas abertamente sobre assuntos que as pessoas costumam enterrar, tornas-te numa coisa rara: um manual vivo.

Não tens de expor todos os detalhes da tua vida. Só tens de parar de fingir que chegaste aos 70 a flutuar numa nuvem de escolhas perfeitas.

  • Nomeia os erros - diz exatamente o que refarias se tivesses mais 20 anos.
  • Partilha os números - com o que viveste de facto, quanto gastaste de facto.
  • Descreve os sentimentos - as noites em que tiveste medo, os dias em que tiveste orgulho.
  • Oferece perguntas, não ordens - “Se fosses eu aos 40, o que mudarias agora?”

7. Continuar a marcar “primeiras vezes”

Há um hábito simples que separa os jovens de espírito, invejavelmente, do resto: eles ainda têm primeiras vezes. Primeira vez numa cidade nova. Primeira viagem de comboio sozinho. Primeira massagem. Primeira vez a falar numa reunião cheia de gente mais nova.

Um calendário cheio de rotina mata a sensação de aventura mais depressa do que qualquer aniversário.

Um homem que conheço, com 70 anos certinhos, mantém uma “Lista de Primeiras Vezes” dentro do armário da cozinha. Todos os meses, escreve uma coisa nova que fez pela primeira vez. Algumas são pequenas - “Primeira vez a provar comida etíope.” Outras são maiores - “Primeira vez a viajar sozinho para o estrangeiro.”

Quando os amigos o visitam e abrem o armário para tirar um copo, veem a lista. As reações são sempre as mesmas: uma gargalhada, uma pausa e depois um “Eu devia fazer isto também”, dito em voz baixa. É a inveja a aproximar-se do respeito.

Uma vida com primeiras vezes recentes parece mais longa do que uma vida em repetição. Não tem de ser dramática nem cara. Só tem de ser ligeiramente desconhecida.

É nesse desconhecido que o teu eu de 20 anos encontra o teu eu de 70 e reconhece que ainda são a mesma pessoa.

8. Recusar reformar-te das tuas opiniões

Reformar-te do trabalho é uma coisa. Reformar-te de pensar é outra. Aos 70, as pessoas que despertam mais inveja silenciosa não são as mais caladas. Leem, ouvem, debatem. Mudam de ideias.

Não tens de ter razão.
Só tens de estar desperto.

Numa reunião de bairro sobre um novo parque infantil, o comentário mais certeiro veio de um homem de 73 anos com um cajado. Enquanto outros resmungavam sobre barulho e estacionamento, ele disse: “Façam-no para raparigas tanto quanto para rapazes, ou estão a deitar dinheiro fora.”

Todos os pais jovens na sala viraram-se para olhar para ele. Mais tarde, alguém me disse: “Quero ser como ele quando tiver aquela idade. Não só sentado ali, mas a dizer algo que importa.” Esse é o padrão agora.

O mundo mexe-se depressa, mas não tão depressa que não o possas acompanhar. Lê um artigo sério por dia. Pede aos teus netos que te expliquem o criador de conteúdos favorito deles. Mostra interesse genuíno e depois forma uma opinião.

O silêncio pode parecer educado. A longo prazo, só te faz desaparecer das conversas que moldam o futuro.

9. Planear 5 anos à frente, não apenas 5 dias

A coisa mais discretamente radical que uma pessoa de 70 anos pode fazer é falar dos seus planos para cinco anos. Não do funeral, não do testamento. Dos planos. Viagens. Projetos. Mudanças.

As pessoas esperam que estejas a contar para trás. Volta a contar para a frente.

Conheci uma professora de 69 anos no último dia de trabalho. Quando lhe perguntei o que vinha a seguir, tirou um papelinho com o título: “70–75”. Tinha: aprender espanhol, fazer voluntariado no estrangeiro, escrever um pequeno livro com histórias da sala de aula, fazer a rota do canal de bicicleta com a irmã.

Dois colegas na casa dos quarenta olharam para aquela lista como se fosse contrabando. Um deles disse, meio a brincar, meio a sério: “Está a fazer-nos parecer preguiçosos.”
É a inveja que ganhas quando recusas transformar a tua vida num final arrumadinho.

Ninguém sabe quanto tempo tem. Isso é verdade aos 20 e aos 70. A diferença é que, aos 70, as pessoas assumem que vais parar de imaginar. Planear cinco anos à frente não desafia o destino. Desafia a vida.

Diz a toda a gente que te vê que o horizonte ainda está ali, à espera que caminhes na direção dele, passo a passo - talvez um pouco mais devagar.

A arte silenciosa de ser o oposto de aborrecido aos 70

Há uma superstição estranha em torno do envelhecer: a ideia de que dignidade significa encolher. Voz mais baixa, escolhas mais seguras, vida mais pequena. As nove coisas “chocantes” acima não são chocantes coisa nenhuma. São apenas os comportamentos que, secretamente, esperamos ainda ter coragem de manter: dizer sim, rir alto, falhar, tentar outra vez.

As pessoas vão sempre invejar dinheiro, aparência, sucesso. Esse tipo de inveja passa depressa. A inveja que fica é diferente. É o que sentes quando vês alguém mais velho do que tu ainda a escolher curiosidade em vez de medo, ligação em vez de conforto, movimento em vez de memória.
É inveja misturada com alívio: “Ah. Eu não tenho de desligar.”

Talvez esse seja o verdadeiro objetivo aos 70. Não parecer jovem, mas continuar a ser alguém para quem os mais novos possam apontar e dizer, em voz baixa, quase como um desejo: “Espero não ser assim tão aborrecido quando for mais velho.”
E depois ir para casa e viver, já hoje, um bocadinho menos aborrecido.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Dizer “sim” à vida Aceitar planos de última hora, agendar primeiras vezes, manter amigos brincalhões Mostra um caminho prático para uma velhice mais vívida e menos rotineira
Manter-se visível Vestir-se com intenção, flertar com a vida, falar honestamente sobre tabus Ajuda a evitar o deslize lento para a invisibilidade social e o isolamento
Pensar para a frente, não para trás Aprender novas competências, partilhar lições reais, planear 5 anos à frente Transforma o envelhecimento de um fim lento num projeto em evolução

FAQ:

  • Pergunta 1: Sou demasiado velho para começar um hobby completamente novo aos 70?
    Absolutamente não. Começa pequeno, escolhe algo que pareça mais brincalhão do que “sério” e dá-te permissão para seres mau nisso durante algum tempo.
  • Pergunta 2: E se a minha saúde limitar o que posso fazer?
    Trabalha com o que tens, não com o que gostavas de ter. Ainda podes dizer sim a conversas, aprendizagem, estilo e pequenas primeiras vezes ajustadas à realidade do teu corpo.
  • Pergunta 3: Como encontro amigos “criadores de sarilhos” se o meu círculo é muito tranquilo?
    Junta-te a grupos por atividades, não por idades: aulas, clubes, voluntariado. Procura os que ainda riem alto e senta-te perto deles.
  • Pergunta 4: Os mais novos não vão achar que estou a esforçar-me demasiado?
    A maioria vai admirar-te em segredo. Os poucos que julgam costumam ser os que têm medo de viver de forma ousada eles próprios.
  • Pergunta 5: Por onde começo se tenho sido “aborrecido” há anos?
    Escolhe uma coisa pequena: uma roupa nova, uma conversa honesta, uma “primeira vez” este mês. O impulso vem do primeiro passo ligeiramente desconfortável.

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