Behind closed doors and, increasingly, in front of cameras, Berlin is asking Paris to move faster on military spending, arguing that European security plans risk stalling if France does not push its budget further and sooner.
Berlim intensifica a pressão sobre Paris
A Alemanha mudou para um tom mais direto com o seu parceiro mais próximo. Falando após a Conferência de Segurança de Munique, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, avisou que os atuais planos orçamentais de defesa de França ficam aquém das novas necessidades de segurança da Europa.
Berlim quer que a retórica ambiciosa de França sobre “autonomia estratégica” seja sustentada por mais dinheiro e por calendários mais claros.
No cerne da mensagem alemã está um ponto simples: se a Europa diz que quer assumir mais responsabilidade pela sua própria defesa, os números têm de corresponder à narrativa. A Alemanha argumenta que, no caso de França, isso ainda não acontece.
O debate surge numa altura em que os aliados da NATO avançam para um quadro de despesa muito mais exigente até 2035. Vários governos discutem agora metas em torno de 5% do produto nacional para a segurança em sentido lato, incluindo cerca de 3,5% dedicado exclusivamente à despesa militar. Berlim afirma que já está a ajustar o seu planeamento orçamental de médio prazo para seguir este rumo.
Responsáveis alemães argumentam que França, com a sua grande economia e lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, tem mais margem de manobra do que admite. Sugerem que Paris poderia re-priorizar outras áreas de despesa pública para libertar verbas para a defesa, tal como Berlim fez com o seu fundo especial de 100 mil milhões de euros e sucessivas reescritas orçamentais.
Porque é que França está sob particular escrutínio
Os responsáveis franceses reagem mal à sugestão de que França está a arrastar os pés. Paris destaca a sua lei de programação militar 2024‑2030, que pretende elevar a despesa anual em defesa para além dos 60 mil milhões de euros até ao final da década.
França aponta para a sua dissuasão nuclear, as suas operações no estrangeiro e a sua indústria de defesa como prova de que já suporta uma parte pesada do fardo da segurança europeia.
Ainda assim, aos olhos alemães, isto não é apenas uma questão de estatuto ou de compromissos passados. Trata-se de saber se as duas maiores potências continentais conseguem avançar em sintonia num momento em que a guerra da Rússia na Ucrânia, as tensões no Médio Oriente e a incerteza quanto a futuras administrações dos EUA estão a remodelar os cálculos de segurança da Europa.
França é única na UE. É a única potência nuclear do bloco, um dos principais exportadores de armamento e um Estado que envia regularmente tropas para missões no estrangeiro. Esse papel especial, argumenta Berlim, exige um sinal orçamental ainda mais claro, e não apenas aumentos incrementais.
Relação franco-alemã sob tensão
Este diferendo orçamental soma-se a tensões mais amplas entre as duas capitais. Paris e Berlim têm divergido sobre política comercial, a gestão de ativos russos congelados e o rumo de projetos industriais conjuntos.
O Future Combat Air System (FCAS, muitas vezes chamado SCAF em francês) ilustra a fricção. O programa franco‑alemão‑espanhol de caça e combate aéreo deveria ser um navio-almirante da cooperação europeia em defesa.
- Empresas francesas e alemãs continuam a discordar sobre a divisão de trabalho e a propriedade intelectual.
- A rivalidade industrial abrandou fases-chave do desenvolvimento.
- Políticos de ambos os lados estão sob pressão para defender empregos e tecnologias nacionais.
Para Berlim, o ritmo prudente de França no orçamento pode agravar estes atrasos industriais. Para Paris, a pressão alemã pode soar a microgestão por parte de um parceiro que, até há pouco, subinvestiu em defesa durante anos.
Visões concorrentes de soberania europeia
Atores de ambos os lados concordam que a Europa precisa de músculos militares mais fortes. Discordam sobre a rapidez com que deve crescer e sobre quem paga o quê.
A Alemanha enfatiza disciplina orçamental e planeamento de médio prazo. Os responsáveis sublinham que a credibilidade vem de números vinculativos, não de discursos. Isso implica compromissos politicamente dolorosos: cortar projetos sociais, adiar planos de infraestruturas ou aumentar impostos para cumprir promessas de defesa.
França destaca os seus compromissos existentes e a sua postura estratégica. A nova lei plurianual de defesa inclui investimento adicional em drones, defesa aérea, capacidades cibernéticas e reservas de munições. Líderes franceses argumentam que já avançam a um ritmo estável e sustentável que protege a coesão social.
Ambos os governos falam de “soberania europeia”, mas diferem quanto a isso significar gastar mais depressa agora ou fazer uma mudança mais gradual ao longo de uma década.
A questão nuclear complica tudo
A dimensão nuclear acrescenta mais uma camada de complexidade. O chanceler alemão Friedrich Merz confirmou conversações com o presidente Emmanuel Macron sobre o futuro da postura de dissuasão da Europa.
Em Paris, alguns estrategas argumentam que o arsenal nuclear francês é, na prática, um escudo para todo o continente. Em Berlim, os políticos avançam com mais cautela. Qualquer passo no sentido de uma dissuasão francesa mais “europeizada” levanta questões legais, políticas e financeiras.
Os líderes alemães sublinham que o guarda-chuva nuclear da NATO, liderado pelos Estados Unidos, já sustenta a segurança europeia. Temem que avançar demasiado depressa para uma postura nuclear europeia mais autónoma possa desestabilizar tanto Washington como Estados-membros mais pequenos da UE.
O que significa realmente maior despesa em defesa para os cidadãos
Por detrás de percentagens abstratas existem efeitos muito concretos na vida diária e nos orçamentos nacionais. Elevar a despesa em defesa para níveis em torno de 3,5% do PIB para fins militares obrigaria todas as capitais europeias a enfrentar escolhas difíceis.
| Opção de política | Impacto provável |
|---|---|
| Cortar outra despesa pública | Menos dinheiro para apoios sociais, saúde ou infraestruturas para libertar verbas para programas de defesa. |
| Aumentar impostos ou contribuições | Maior carga para famílias e empresas, potencial reação política. |
| Aumentar o endividamento | Mais dívida pública, choques com regras orçamentais da UE, pressão dos mercados obrigacionistas. |
A Alemanha argumenta que enfrentar estas escolhas de forma transparente agora oferece maior previsibilidade. França tende a preferir uma combinação de aumentos graduais, apoio à indústria e crescimento económico para suportar uma maior carga de defesa sem choques abruptos.
Riscos se França e Alemanha não se alinharem
Se as duas maiores economias da UE puxarem em direções diferentes, todo o projeto europeu de defesa arrisca abrandar. Programas conjuntos podem estagnar, cadeias de abastecimento podem fragmentar-se, e Estados mais pequenos enfrentariam sinais contraditórios sobre quanto gastar e em quê.
O desalinhamento entre Paris e Berlim pode deixar a Europa mais dependente das garantias de segurança dos EUA exatamente no momento em que essas garantias parecem menos certas.
Planeadores da NATO preocupam-se com um fosso entre ambição política e capacidade real. Mais agrupamentos táticos, mais sistemas de defesa aérea, uma presença naval reforçada: todas estas promessas exigem fábricas, pessoal treinado e fluxos financeiros previsíveis.
No pior cenário, a Europa poderia acabar com projetos duplicados, equipamento incompatível e polos de defesa concorrentes, cada um defendido pelo seu campeão nacional. Isso enfraqueceria o poder de negociação com fornecedores dos EUA e da Ásia e aumentaria os custos de longo prazo.
Conceitos-chave por trás do debate
Vários termos continuam a surgir neste debate e moldam a forma como os líderes pensam o futuro.
Autonomia estratégica refere-se à capacidade da Europa de agir militar, diplomaticamente e economicamente sem depender totalmente de potências externas. Não significa romper com a NATO, mas reduzir a vulnerabilidade a mudanças na política dos EUA.
Dissuasão é a ideia de que fortes capacidades de defesa, incluindo as nucleares, evitam a guerra ao convencer potenciais agressores de que qualquer ataque seria demasiado dispendioso. Para França, a sua força nuclear é uma parte central disso. Para a Alemanha, a dissuasão assenta mais na força combinada da NATO.
Partilha de encargos capta a discussão sobre quem paga o quê pela segurança comum. A Alemanha usa este conceito para pressionar França e outros a atingirem metas de despesa acordadas, enquanto responsáveis franceses lembram discretamente Berlim de que assumiram papéis de combate no estrangeiro quando a Alemanha se manteve cautelosa.
Cenários para a próxima década
Vários caminhos são agora visíveis. Um cenário prevê que França aceite aumentos mais rápidos para corresponder às expectativas alemãs, possivelmente reconfigurando a despesa interna e acelerando aquisições. Isso poderia desbloquear uma cooperação mais fluida em projetos como o FCAS e uma postura de defesa da UE mais coerente.
Outro cenário aponta para maior divergência: França mantém a sua trajetória atual, a Alemanha avança de forma mais agressiva, e outros Estados da UE escolhem lados entre os dois modelos. Com o tempo, isso poderia cristalizar em dois blocos: um focado na NATO e em regras orçamentais rígidas, outro na autonomia estratégica ao estilo francês e em orçamentos mais flexíveis.
Uma opção mais equilibrada envolveria um acordo político. Paris poderia aceitar compromissos numéricos mais fortes, enquanto Berlim aceitaria maior flexibilidade nas regras orçamentais da UE para investimento em defesa. Esse tipo de compromisso ligaria orçamentos, indústria e estratégia de segurança de forma muito mais estreita do que hoje.
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