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Se notar bolhas na parede lateral do pneu, pare de conduzir: o rebentamento é iminente.

Pessoa verifica pneu danificado de carro com um triângulo de sinalização ao fundo numa estrada.

O seu carro pode estar a dizer-lhe “pare já” sem acender uma única luz no painel. Uma bolha no flanco do pneu costuma aparecer assim: de repente, num momento banal - a sair de casa, num estacionamento, num semáforo. Não há furo visível, não parece haver fuga de ar, mas aquela protuberância macia está lá.

É fácil pensar “logo trato disso” e seguir viagem, porque o pneu ainda rola e o carro parece normal. O problema é que, a velocidades de autoestrada (por exemplo, cerca de 100 km/h), essa bolha pode ser o último aviso antes de um rebentamento.

Bolhas na parede lateral não são uma questão estética. São sinal de dano estrutural - e a falha pode acontecer muito mais depressa do que se imagina.

Essa bolha “inofensiva” que pode arrancar o seu carro da estrada

Uma bolha no flanco engana porque o pneu ainda mantém pressão. Só que o que está a ceder não é a borracha exterior: são as telas/cordões internos que dão força à carcaça.

O cenário típico em Portugal:

  • buraco fundo (muito comum após chuva),
  • toque num lancil ao estacionar,
  • lomba passada depressa,
  • detritos na estrada.

Esse impacto pode cortar ou partir cordões internos. A pressão do ar começa a empurrar para fora na zona fragilizada e cria um “balão” no flanco. Por fora vê-se a bolha; por dentro, muitas vezes, já existe rutura.

Porque é que isto é tão perigoso no flanco?

  • O flanco é a zona que mais flete em cada rotação. Mais flexão = mais calor = mais degradação.
  • A bolha concentra esforço num único ponto. Em autoestrada, com calor e carro carregado, o risco aumenta muito.
  • Sistemas como TPMS (quando existe) podem não avisar: pode não haver perda lenta de pressão antes do rebentamento.

Regra prática usada por profissionais: bolha no flanco = pneu perdido. Não é “para ir controlando”, é para substituir.

O que fazer no segundo em que deteta uma bolha no pneu

Encara isto como perigo imediato. A ideia é baixar carga e temperatura até conseguir parar com segurança.

1) Abrande suavemente e evite travagens fortes ou mudanças bruscas de direção.
2) Ligue os quatro piscas e procure um local seguro: área de serviço, parque, rua calma. Em autoestrada, use a berma só o estritamente necessário até um ponto mais protegido.
3) Depois de parar: travão de mão, caixa em “P” (ou 1.ª), e só então saia para confirmar.

Nota de segurança (importante em Portugal): antes de sair do carro na berma/estrada, vista o colete refletor. Se tiver de sinalizar imobilização, use o triângulo conforme as regras locais e apenas se for seguro colocá-lo.

O que fazer a seguir:

  • Se tiver suplente e souber trocar, faça-o apenas num local estável e fora do trânsito. Se for “roda de emergência”, respeite o limite típico indicado (muitas são para até 80 km/h) e vá direto a uma oficina.
  • Se não tiver condições, chame assistência em viagem/reboque. Um “serviço móvel” consegue resolver no local em muitos casos.

O que não fazer:

  • Não “só mais uns quilómetros” a velocidade normal (é nessa fase que costuma falhar).
  • Não tente reparar com tampões, sprays ou “remendos” no flanco - não é considerado seguro para dano estrutural.
  • Não confie no tamanho: pequena ou grande, a bolha significa falha interna.

Se quiser um hábito simples: espreite os flancos quando abastece ou lava o vidro. São 10 segundos e pode apanhar bolhas antes de virarem emergência.

Viver com a ideia de que os seus pneus sustentam a sua vida inteira

Quatro áreas de contacto do tamanho aproximado de uma mão sustentam travagem, direção e estabilidade. Uma bolha no flanco é um lembrete pouco simpático - mas útil - de que um pneu “aguentar” não é o mesmo que um pneu estar seguro.

Ajustes que evitam repetir a história:

  • Depois de um impacto (buraco, lancil), inspecione o pneu no próprio dia. Bolhas podem surgir horas/dias depois.
  • Pressão certa (pelo autocolante da porta/depósito) reduz flexão do flanco; pressão baixa aquece mais e torna impactos mais agressivos.
  • Se notar vibração, volante a puxar ou desgaste irregular após o impacto, peça verificação de alinhamento e inspeção do pneu/jante.

Na substituição, há um trade-off real: idealmente, troca-se o par no mesmo eixo para manter comportamento e aderência equilibrados (especialmente em chuva). Se o orçamento obrigar a trocar só um, pelo menos garanta a medida correta e o mesmo índice de carga/velocidade, e peça para verificarem os restantes.

Ponto-chave Detalhe Porque importa
Bolha = falha estrutural Cordões/telas internos cederam após impacto; o ar cria um “balão” no flanco. Pode rebentar sem aviso, sobretudo com velocidade, calor e carga.
Parar assim que possível Abrandar, sinalizar e encostar em segurança; evitar autoestrada/alta velocidade. Reduz risco de perda súbita de controlo.
Substituição, não reparação Dano no flanco não é reparação segura na prática corrente do setor. Evita “remendos” que falham quando mais precisa.

FAQ:

  • Posso conduzir uma curta distância com uma bolha no flanco do pneu?
    Só o necessário para sair da zona de risco e parar em segurança. Evite velocidade e manobras bruscas.

  • Um pneu com bolha no flanco pode ser reparado?
    Em geral, não. O flanco é estrutural e muito flexível; a solução segura costuma ser substituir.

  • O que causa bolhas no flanco?
    Impactos: buracos, lancis, lombas a alta velocidade, ou detritos a bater no pneu.

  • É seguro se a bolha for pequena e não parecer crescer?
    Não é um bom sinal em nenhum tamanho. Qualquer protuberância visível indica falha interna e pode evoluir sem aviso.

  • Devo substituir os pneus dos dois lados se um tiver uma bolha no flanco?
    Idealmente, sim, no mesmo eixo. No mínimo, substitua o danificado e peça inspeção aos restantes (pode ter havido o mesmo impacto).

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